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Correio da Manhã

Sociedade

62% dos alunos gays foram alvo de comentários de professores

Maior parte dos inquiridos diz que os comentários surgiram, na sua maioria, de forma ocasional.
21 de Junho de 2018 às 17:32
Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa FOTO: Getty Images
Mais de metade (62%) dos adolescentes pertencentes à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgénero) já ouviram comentários homofóbicos de professores e funcionários não-docentes das escolas.

As conclusões constam de um estudo realizado em conjunto pelo (ISCTE e Universidade do Porto Associação ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero. 62% dos quase 700 alunos entre os 14 e os 20 anos ouvidos disseram ter sido alvo de comentários homofóbicos de professores e funcionários não-docentes, informa a TSF, citando o estudo.

Segundo maior parte dos inquiridos, os comentários surgiram, na sua maioria, de forma ocasional, enquanto 28,5% diz que comentários são recorrentes.

"Os meus professores são extremamente machistas, misóginos e fazem frequentemente comentários machistas e homofóbicos", afirmou um dos inquiridos.

O estudo mostra ainda que quem mais usa argumentos homofóbicos para fazer piadas são os colegas (75,1%), sendo que ao todo a maioria da amostra (61,1%) ouve de forma regular ou frequente comentários homofóbicos na escola.

Há mesmo que conte ser agredido pelos colegas por ser homossexual, ou por estar numa marcha LGBT. Quase 8% contaram que foram alvo de agressões físicas por causa da orientação sexual.

Há ainda alunos que dizem ter sido postos de parte pelos colegas devido à sua orientação sexual: "Fiquei sem todos os meus amigos, a minha turma punha-me completamente de parte". 73,6% dizem sentirem-se alvo de "exclusão deliberada" pelos colegas, com muitos a serem alvo de rumores e mentiras sobre si na escola.

O estudo também mostra que os jovens alvo de discriminação têm quatro vezes mais hipóteses de faltar.

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