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Correio da Manhã

Sociedade

Agências de viagens dizem que retoma está comprometida por falta de foco do Governo

APAVT garante que "há apoios que estão comunicados há meses, alguns várias vezes, mas que tardam".
Lusa 25 de Agosto de 2021 às 17:18
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Viajar FOTO: Getty Images
A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) criticou esta quarta-feira a atuação do Governo em relação ao setor, afirmando que a retoma está "comprometida por falta de foco" do executivo.

Em comunicado, a entidade diz que o setor "tem vindo a assistir, nas últimas semanas, a uma enorme perda de qualidade no que diz respeito à intervenção do Governo, que mostra sinais de cansaço, face à crise económica, que se adensa e está longe de ultrapassada".

Na mesma nota, a APAVT garante que "há apoios que estão comunicados há meses, alguns várias vezes, mas que tardam, não apenas a chegar às empresas, como mesmo em terem definidos os meios e regras ao seu acesso, como é o caso dos apoios à recapitalização das empresas".

Por outro lado, lamenta a associação, "há apoios que não foram comunicados, mas que foram colocados em letra de lei, como é o caso dos apoios do programa Apoiar.pt que é pouco claro quanto à definição dos beneficiários", realçando o caso das agências de viagens.

"Acresce ainda que há apoios que geraram imensa confusão exatamente por não terem sido comunicados pelo Governo", mas "constarem do diploma legal que alterou o programa e porque não existem notícias sobre a sua implementação", acrescenta.

A APAVT salienta os decretos publicados relativamente ao 'lay-off', dizendo que se "atropelaram uns aos outros" e assegurando que, "neste momento, decorrente dos vários mecanismos legais colocados em vigor, as empresas, para determinada quebra de faturação, têm igual apoio em agosto e outubro, e menor apoio em setembro".

"Entretanto, faltam escassos dias para entrarmos em setembro. Só pode ser gafe, mas já passou o tempo suficiente para que a retificação tivesse sido publicada", adianta, acrescentando que "as regras para operação turística continuam dispersas, confusas e inadequadas".

Segundo a associação, "multiplicam-se os apoios à TAP, aliás sempre com o apoio da APAVT, mas, ao contrário de vários países europeus, continua o Governo a impedir a entrada de turistas brasileiros em Portugal, apertando assim o garrote a todo um setor, incluindo à TAP que necessita, mais do que nunca e acima de tudo, de recomeçar a trabalhar os mercados em que tem vantagem competitiva".

A APAVT considera mesmo que esta decisão "coloca mesmo em causa o próprio 'hub' da TAP em Lisboa, fundamental para a recuperação da companhia e do turismo de longo curso no nosso país".

"Apesar de este verão mostrar maior animação do que no ano passado, primeiro ano de pandemia, é bom não esquecer que, face a 2019, de acordo com dados oficiais, continuamos com quebras superiores a 70% no número de dormidas de não residentes", alerta a associação, recordando que, "no que diz respeito a movimentos nos aeroportos nacionais, registou-se no primeiro semestre deste ano um decréscimo de 80,4% face ao mês homólogo de 2019".

"Ou seja, estamos muito longe de recuperar o turismo internacional", remata.

"Os empresários, as empresas e os colaboradores do turismo não tiraram férias, estão a lutar para manter os investimentos ativos e o emprego", refere, citado no mesmo comunicado o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira.

"Apenas podemos esperar do Governo clarificação dos temas, coerência nas políticas, celeridade nos procedimentos e sobretudo, capacidade de construir e entregar apoios consequentes e previsíveis", conclui.

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