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Correio da Manhã

Sociedade
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Ambientalistas contra caldeiras a gás

Organização ambientalista Quercus e mais 30 organizações europeias pretendem que a União Europeia suspenda a venda e instalações de caldeiras a gás.
João Saramago 22 de Setembro de 2021 às 23:01
Botijas de Gás
Botijas de Gás FOTO: Getty Images

Os ambientalistas fazem um "apelo à União Europeia (UE) para que não contrarie os seus objetivos ambiciosos de alcançar a neutralidade em carbono até 2050 e de redução de 55% até 2030, ao continuar a permitir a venda e instalação de novas caldeiras a gás".

O apelo foi feito em carta aberta enviada ao Vice-Presidente Executivo do Pacto Ecológico Europeu,  Frans Timmermans , exigindo a eliminação progressiva da venda de novas caldeiras a combustível fóssil.

A reivindicação dos ambientalistas surge nas vésperas do Fórum de Consulta, a realizar a 27 e 28 de Setembro, onde técnicos representantes dos Estados Membros, da indústria e da sociedade civil irão discutir as propostas da Comissão Europeia de revisão do regulamento de conceção ecológica para os aparelhos de aquecimento ambiente e água.

Estimativas apontam para a existência de cerca de 129 milhões de caldeiras instaladas na União Europeia, sendo que 50% destas são muito ineficientes, classificadas com a classe de eficiência energética C ou inferior.

Um estudo, realizado em 2020, feito por especialistas da ECOS e da coolproducts, mostra que proibir, após 2025, a venda de novas caldeiras a combustível fóssil, permitirá reduzir em 110 milhões de toneladas as emissões anuais de CO2 até 2050, o que corresponde a quase dois terços da redução necessária no setor residencial e edifícios públicos para se alcançar a neutralidade carbónica até 2050.

Em Maio, a Agência Internacional de Energia recomendou a introdução de restrições a novas caldeiras a combustível fóssil, a partir de 2025.

Segundo a Quercus, sete Estados-Membros já têm uma estratégia para descarbonizar os seus sistemas de aquecimento - Suécia, Finlândia, Dinamarca, França, Áustria, Bélgica e Países Baixos – tendo já anunciado a eliminação progressiva destes aparelhos de aquecimento a combustíveis fósseis.

Portugal, adianta a organização ambientalista, "ainda não tem uma estratégia semelhante, embora haja o objetivo de reduzir a intensidade carbónica dos edifícios, aumentar a eficiência energética e substituir os combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis, concentrando os programas de incentivos na eletrificação e em fontes de energia renováveis". 

Mais de 80% dos aparelhos de aquecimento ambiente instalados na UE são alimentados a combustível fóssil.
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