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Correio da Manhã

Sociedade
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Cada vez mais pessoas pedem ajuda para comer

Registado aumento de 40 por cento nos pedidos feitos nos últimos dois anos.
Ana Maria Ribeiro 24 de Janeiro de 2022 às 08:34
Pandemia aumentou a pobreza no País e levou muitos a procurarem apoio junto das associações de solidariedade
Pandemia aumentou a pobreza no País e levou muitos a procurarem apoio junto das associações de solidariedade FOTO: Mariline Alves
Nos últimos dois anos, houve um aumento de cerca de 40% no número de pessoas que foram pedir ajuda ao Centro de Acolhimento de Sem-Abrigo (CASA), e muitos têm “características novas”, revela o diretor-geral da estrutura, Nuno Jardim. “Há mais estrangeiros, pessoas que trabalhavam na hotelaria, por exemplo, e que ficaram desprovidas de apoios”, esclarece. “Pessoas que podem ser consideradas sem-abrigo com tecto, uma vez que vivem numa casa ou num quarto mas sem condições para poderem ter uma vida minimamente digna.”

Houve um crescimento acentuado nos pedidos de ajuda por parte de famílias. A pandemia lançou no desemprego quem já tinha trabalho precário e são mais os que acorrem à associação para pedir ajuda para comer ou para pagar despesas fixas. Atualmente, a CASA apoia cerca de sete mil pessoas em todo o País, 2500 das quais em situação de sem-abrigo.

Também Susana Veiga, assistente social da Legião da Boa Vontade, sublinha o aumento “muito, muito grande” de pedidos de ajuda por parte das famílias. “A associação chega a receber entre três a quatro pedidos por dia, sobretudo ao nível alimentar”, sublinha a responsável, acrescentando que muitas vezes as pessoas procuram também ajuda para pagar água, luz e renda.

Para as associações, o período mais dramático aconteceu no final de março de 2020, quando a Comunidade Vida e Paz, por exemplo, habituada a distribuir cerca de 420 ceias, passou a entregar 800, quando aos sem-abrigo se juntaram também refugiados, reclusos e desempregados.

Sem-abrigo em valores pré-pandemia
O número de pessoas em situação de sem-abrigo aumentou em 2020, mas já terá voltado ao registado antes da pandemia. Gonçalo Santos, diretor técnico da associação CAIS, defende que a criação de soluções temporárias para retirar as pessoas da rua terá contribuído para tal. Já o coordenador da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo acredita numa inversão dos números “mais tarde ou mais cedo” e destaca o aumento de vagas em soluções de alojamento. Há dois anos havia 8107 pessoas na situação de sem-abrigo, mas ainda não há dados oficiais de 2021.
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