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Correio da Manhã

Sociedade
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Cancro do pulmão matou 4797 pessoas em Portugal em 2020

Foram detetados 5415 novos casos no ano passado. É o tipo de cancro mais mortal em Portugal.
Vanessa Fidalgo 2 de Agosto de 2021 às 08:43
Cerca de 85% dos novos casos de cancro do pulmão são detetados em pessoas que fumam ou fumaram
Médico António Morais
Cerca de 85% dos novos casos de cancro do pulmão são detetados em pessoas que fumam ou fumaram
Médico António Morais
Cerca de 85% dos novos casos de cancro do pulmão são detetados em pessoas que fumam ou fumaram
Médico António Morais
Em Portugal foram diagnosticados 5415 novos casos de cancro do pulmão em 2020, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os últimos números dão ainda conta de 4797 mortes no ano passado, o que torna o cancro do pulmão a doença oncológica mais mortal no País.

"Além de constituir o cancro mais frequente no Mundo, a incidência do cancro do pulmão aumenta a um ritmo de 0,5% por ano", avisa Teresa Almodôvar, presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP).

A pandemia vai agravar estes números devido aos atrasos de diagnóstico, acrescenta António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia. "O cancro do pulmão é um dos tumores com maior capacidade e rapidez de progressão. O fator tempo é absolutamente crucial. A demora no diagnóstico pode levar a que um doente já não esteja em condições de efetuar a recessão do tumor por cirurgia (único tratamento com potencial curativo) ou devido a uma deterioração do seu estado geral. Pode já não ter a possibilidade de aceder a todos os tratamentos disponíveis", explica.

Cerca de 85% dos novos casos são detetados em pessoas que fumam ou fumaram. A incidência é três vezes superior nos homens que nas mulheres, mas com tendência para aumentar no sexo feminino, refletindo os hábitos tabágicos da nossa sociedade.

A doença é silenciosa. O tumor pode desenvolver-se durante bastante tempo sem provocar sintomas. Por isso, a maioria dos doentes são diagnosticados em estado avançado. Teresa Almodôvar explica que, além do tabaco, "a contaminação ambiental, alterações moleculares também podem ser fatores de risco para cancro do pulmão".
Sem esquecer o envelhecimento que representa, como em todos os cancros, um fator de risco.

Pneumologistas querem via verde para doentes
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia pede urgência na criação de uma via verde de diagnóstico para suspeitas de cancro do pulmão para acelerar exames e o início dos tratamentos. O presidente daquela instituição, António Morais, lembra que na área da Oncologia todo o tempo conta e pode significar perder o doente para a cirurgia ou para um tratamento que lhe pode dar mais tempo de vida.
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