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Correio da Manhã

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Costa diz que apenas um auto de notícia durante a greve é prova de "legalidade democrática"

Conselho de Ministros eletrónico aprovou o fim da crise energética, a partir das 23h59 desta segunda-feira.
Lusa 19 de Agosto de 2019 às 11:51
António Costa
António Costa FOTO: Reuters
O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta segunda-feira que no final da greve dos motoristas haver "um único auto de notícia levantado demonstra bem como a legalidade democrática foi respeitada", agradecendo o esforço de todas as forças de segurança.

A visita ao Sistema de Segurança Interna (SSI) foi a última de três que o primeiro-ministro fez esta segunda-feira de manhã na sequência do final da greve dos motoristas, tendo falado aos jornalistas poucos minutos depois de o Conselho de Ministros eletrónico ter aprovado o fim da crise energética, a partir das 23h59 desta segunda-feira, declarada há nove dias devido a esta paralisação.

"No fim disto tudo haver um único auto de notícia levantado demostra bem como a legalidade democrática foi respeitada, e essa é a vitória mais importante que temos de assinalar", afirmou.

De acordo com António Costa, "só foi levantado um auto de notícia visto que as pessoas, assim que notificadas sobre a obrigação que a requisição civil impunha e ficando esclarecidas, acataram a requisição e portanto não houve nenhuma situação de incumprimento".

Felizmente, na perspetiva do chefe do executivo, "foi uma semana vivida com grande civismo, onde não houve situações de confronto nem de violência, onde houve o acatamento generalizado da legalidade".

"E onde, ao contrário do que foi por vezes noticiado, não houve necessidade de recorrer nem à força nem a qualquer tipo de tensão", enalteceu.

O primeiro-ministro fez questão de agradecer, na pessoa da secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, "todo o esforço que as forças de segurança desempenharam para manter a ordem pública e a tranquilidade".

"E queria expressar aqui pessoalmente, quer aos senhores comandantes da GNR e ao senhor diretor nacional da PSP, para além de todas as forças e serviços de segurança, o nosso agradecimento pela forma como tudo correu e como souberem garantir a legalidade democrática", acrescentou, acompanhado também pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Questionado sobre as críticas dos grevistas ao excesso de aparato policial, António Costa começou por responder que "foi o planeamento adequado e seguramente teve o efeito dissuasor", cumprindo os seus objetivos que "foi permitir a quem quis fazer greve o pudesse fazer de uma forma pacífica, com menor perturbação possível dos efeitos sobre a sociedade".

"É como quando, no fim de um jogo de futebol uma equipa ganha por 3-0, perguntar se precisava de ter tantos defesas", comparou.

Na perspetiva do primeiro-ministro, sem dispositivo disponível provavelmente o resultado não seria o mesmo.

"Aquilo que nos podemos congratular é que graças ao planeamento que foi feito, quer do ponto de vista das necessidades de abastecimento de energia quer do dispositivo de segurança, chegamos ao fim da semana com a situação resolvida, sem danos, sem qualquer tipo de violência e eu acho que isso é a demonstração que ainda bem que tudo correu assim e que as forças cumpriram bem a sua missão", enalteceu.

Uma luta sindical entre os trabalhadores e as respetivas entidades patronais, prosseguiu Costa, "seguramente causa danos colaterais aos outros cidadãos", mas é preciso "limitar esses danos colaterais, sobretudo em matérias tão sensíveis como aquelas que têm a ver com abastecimento de combustíveis".

Questionado sobre o número de elementos das forças de segurança empenhados ao longo da última semana, o chefe do executivo admitiu que "foram muitos", mas remeteu o balanço final para a Secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna.

"O menor número foi mesmo das pessoas envolvidas no transporte propriamente dito, onde felizmente não foi necessário empenhar tantos elementos quanto aqueles que tinham sido mobilizados", disse.

Situação diferente verificou-se na "gestão do tráfego, da manutenção da ordem pública, da tranquilidade pública e sobretudo o pessoal que teve de estar de prevenção para qualquer eventualidade", números com "uma dimensão muito significativa".

As declarações de António Costa aos jornalistas começaram com o anúncio de que o Conselho de Ministros eletrónico já tinha determinado o fim da crise energética a partir das 23h59 desta segunda-feira. 
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