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Correio da Manhã

Sociedade
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Cria de abutre-preto nascida no Douro Internacional de regresso à área protegida

Abutre-preto frequentou um Campo de Alimentação para Aves Necrófagas (CAAN) localizado no concelho de Miranda do Douro.
Lusa 16 de Agosto de 2021 às 15:34
Cria de abutre-preto
Cria de abutre-preto FOTO: Facebook
Uma das duas únicas crias de abutre-preto nascidas e marcadas com dispositivos GPS no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) em 2020 regressou, pela primeira vez, ao território onde nasceu, foi esta segunda-feira divulgado.

"Esta é uma das duas duas únicas crias que nasceu no PNDI e que agora está de regresso a esta área protegida. Este percurso foi possível de seguir graças a um dispositivo GPS", indicou a associação de defesa do meio ambiente Palombar

Em comunicado, a Palombar indicou que o abutre-preto frequentou um Campo de Alimentação para Aves Necrófagas (CAAN) localizado no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, que é gerido por esta organização não governamental que fez o registo do indivíduo juvenil através de câmara de foto armadilhagem.

"O juvenil de abutre-preto, batizado de Lechuga, nasceu em 2020, assim como outro indivíduo da mesma espécie, e são crias dos dois únicos casais reprodutores de abutres-pretos até agora identificados no PNDI", específica a mesma nota.

Segundo a Palombar, o abutre Lechuga abandonou a sua zona de nascimento, no PNDI, em fevereiro de 2021, e, desde então, tinha estado a explorar novos territórios entre Espanha e Portugal, nomeadamente a província de Salamanca, a Serra de Gredos e a Extremadura espanhola, bem como o Alentejo.

O registo deste indivíduo num CAAN vem comprovar a importância destas estruturas para a disponibilização de alimento com qualidade, livre de substâncias tóxicas, e de forma regular para espécies de aves necrófagas ameaçadas, a qual é fundamental principalmente durante a época de reprodução e período de dispersão dos juvenis, contribuindo também para o estabelecimento e fixação destes no território e para o aumento da sua população nidificante.

Em maio de 2020, a Palombar também tinha registado pelo menos oito abutres-pretos a alimentarem-se num CAAN gerido pela organização no concelho de Mogadouro.

Os abutres-pretos são registados com frequência nos CAAN geridos pela Palombar, pelo que estas estruturas estão a contribuir de forma efetiva para impulsionar um possível aumento do número de casais de abutre-preto reprodutores no PNDI nos próximos anos.

As duas únicas crias de abutre-preto nascidas no PNDI em 2020 foram marcadas com dispositivo GPS cedidos pela Vulture Conservation Foundation, nos dias 26 de junho de 2020 e 13 de julho do mesmo ano, numa ação realizada no âmbito do projeto LIFE Rupis e coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF/DRCNF do Norte/PNDI), com intervenção da ATNatureza- Associação Transumância e Natureza, parceiros do LIFE Rupis, assim como a Palombar. Estes foram os primeiros abutres-pretos a serem marcados com GPS no PNDI.

O abutre-preto extinguiu-se como nidificante em Portugal no início da década de 70.

"Esta espécie só tem uma cria por época de reprodução. Por ter uma população extremamente reduzida, o abutre-preto está classificado como 'Criticamente em Perigo' em Portugal", frisam os especialistas  em avifauna

Um grupo de pelo menos oito abutres-pretos foi registado por câmaras de fotoarmadilhagem a alimentar-se no PNDI, em Mogadouro, em junho de 2020.

"A presença de abutres-pretos é frequente nos campos de alimentação de aves necrófagas (CAAN) e, ao longo dos últimos anos, foram registadas pela Palombar sessões de alimentação com cinco a sete indivíduos ao mesmo tempo, e agora foi atingido um novo recorde", com pelo menos oito aves, explicou o biólogo da Palombar José Pereira.

Aquele especialista em avifauna não tem dúvidas de que se trata do maior número de indivíduos desta espécie ameaçada até agora observado num campo de alimentação para aves necrófagas gerido pela Palombar "num único dia".

O abutre-preto encontra-se associado às zonas de aproveitamento silvopastoril, onde ocorre a criação extensiva de gado bovino e ovino.

Já o projeto ibérico LIFE Rupis, que teve uma duração de cinco anos, deixou uma "marca única" na preservação da avifauna do Douro Internacional e na área protegida de Arribes del Duero do lado espanhol.

Foram contabilizados pelos promotores do LIFE Rupis um investimento total de 2,7 milhões no território, incluindo reforço das capacidades técnicas e institucionais dos vários parceiros, nomeadamente Organizações Não Governamentais (ONG) neste território do Douro Internacional.

O programa LIFE Rupis também incluiu um programa de educação ambiental que envolveu todas as escolas da região onde participaram mais de 5.000 alunos e professores.

 

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