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Correio da Manhã

Sociedade
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Desperdicio: As estratégias para evitar deitar fora alimentos

Nutricionista Ana Bravo explica que o segredo está no planeamento cuidado das refeições e das compras no supermercado.
Bernardo Esteves 20 de Agosto de 2020 às 08:20
Desperdício alimentar
Desperdício alimentar
Desperdício alimentar
Desperdício alimentar
Desperdício alimentar
Desperdício alimentar

A recente divulgação de vídeos que mostraram alimentos em boas condições deitados ao lixo pelos principais supermercados voltou a chamar a atenção para o problema do desperdício alimentar, que é regra nas modernas sociedades de consumo.

Vários estudos indicam que as famílias são responsáveis por quase metade deste desperdício. Há, no entanto, formas bastante simples de reduzir as perdas.

"Mais do que reaproveitar desperdícios, planeie as refeições de forma a sobrar comida que possa guardar para uma das refeições seguintes", sugere a nutricionista Ana Bravo, no livro ‘Nutrição com Coração’, frisando que "fazer uma lista de compras ajuda sempre a não desfocar a atenção e a evitar gastar mais uns cêntimos".

Há também hábitos simples que podem fazer uma enorme diferença, como "utilizar a fruta amolecida para preparar batidos de fruta ou fruta cozida".

Este é um dos conselhos sugeridos pelo Grupo Lusíadas, que recomenda também que se utilize as cascas de hortícolas ou frutas (cebola, limão ou laranja) para fazer chá ou compotas.

Para evitar deitar comida fora pode também congelar os alimentos cozinhados que sobrarem ou colocá-los no frigorífico em recipientes apropriados.

Outra solução para reduzir o desperdício de produtos alimentares no dia a dia é criar uma horta no quintal, ou mesmo na varanda, para plantar ervas aromáticas (coentros, salsa, tomilho, manjericão) e frutos e legumes como morangos, tomates, alface ou cenouras.

Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar
"Roubar por fome não é pecado"
CM –Como se pode evitar o desperdício alimentar?
– O desperdício ocorre em todas as etapas: na produção, agrícola ou industrial, na distribuição, e nas nossas casas. Tem de haver uma mobilização de toda a sociedade, que pode ser potenciada pelo Estado com atribuição de incentivos fiscais às empresas que não desperdiçam.
–Em qual dessas três fases há mais desperdício?
– Os estudos demonstram que a maior parte do desperdício é produzido nas casas das famílias. É preciso um amplo trabalho de educação nas escolas que abranja alunos e também os pais para mudar as mentalidades.

–O que lhe parece a decisão do Tribunal Constitucional alemão de proibir a recolha de alimentos que vão para o lixo, considerando-os propriedade dos supermercados?
– É chocante. A Bíblia diz que não é pecado roubar quando se tem fome. É preferível uma doação consentida, mas a decisão é aberrante. É preciso perceber a intenção das pessoas que foram ao lixo.

Deitamos um terço da comida no lixo
Estima-se que um terço da comida produzida em todo o Mundo é desperdiçado. No total, serão deitados fora todos os anos qualquer coisa como 1,6 mil milhões de toneladas de alimentos.

Em Portugal, o desperdício atinge 1 milhão de toneladas por ano, segundo um estudo da consultora BCG Lisboa. Este relatório concluiu que cerca de 40% do desperdício se deve à rejeição de frutas e vegetais que não cumprem os requisitos estéticos e de tamanhos.

Uma das medidas para um desenvolvimento sustentável propostas pelo estudo passa pela revisão destes requisitos, alargando o naipe de produtos considerados aceitáveis. Há também grande parte dos alimentos que nunca chegam ao consumidor devido ao seu caráter eminentemente perecível.

A solução proposta passa pela criação de unidades de desidratação para reaproveitar estes alimentos. O aumento das doações e a criação de um mercado de colocação de produtos que passaram o ponto de utilização são outras das propostas.

Alemanha proíbe recolha de lixo em supermercado
O Tribunal Constitucional alemão decidiu que retirar alimentos do lixo de um supermercado é crime, considerando que o lixo é propriedade privada.

Duas estudantes foram condenadas a oito horas de serviço comunitário e a uma multa de 225 euros num caso iniciado em 2019.


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