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Correio da Manhã

Sociedade
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DGS quer rastreios à Covid-19 em casamentos e batizados. Mas regras têm falhas

Empresas não querem pagar testes e polícia diz que será difícil fiscalizar. Número de pessoas contagiadas bate recorde desde fevereiro.
Bernardo Esteves e João Saramago 17 de Junho de 2021 às 01:30
Perante as dúvidas, o Estado não esclarece se vai pagar os rastreios
Perante as dúvidas, o Estado não esclarece se vai pagar os rastreios FOTO: Direitos Reservados
A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou a norma sobre a Estratégia Nacional de Testes ao novo coronavírus. Passou a recomendar "rastreios laboratoriais em eventos familiares, designadamente casamentos e batizados, bem como quaisquer outras celebrações similares, com reunião de pessoas fora do agregado familiar, aos profissionais e participantes sempre que o número de participantes seja superior a dez".

A norma da DGS refere também que "devem realizar-se rastreios laboratoriais" em eventos culturais e desportivos "sempre que o número de participantes/espectadores seja superior a mil, em ambiente aberto, ou superior a 500, em ambiente fechado". A recomendação de testagem em cada 14 dias estende-se também a locais de trabalho com mais de 150 pessoas, independentemente do vínculo laboral. Também nos serviços públicos, creches, escolas e instituições de Ensino Superior são recomendados testes periódicos.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia admite que a fiscalização será "difícil" e que apenas através de "denúncias" deverá ser possível atuar. "Num casamento o agente da PSP não sabe se perante a falta de testes a festa termina ou se levanta o auto. O normativo necessita de diretrizes concretas e claras", adianta Paulo Santos
Já a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) pede "clareza" à DGS e afirma que pretende "cumprir com esta obrigação". No entanto, recusa que sejam as empresas a arcar com as despesas pelos rastreios. "As empresas não estão em condições de suportar os custos que todo este procedimento acarreta, pelo que devem ser apoiadas pelo Estado", disse ao CM Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde não esclareceu se o Estado pagará o rastreio. Lacerda Sales afirmou que os promotores de eventos têm o dever de recomendar a testagem e de impedir a entrada a quem recusar. "Há uma forte recomendação e um dever por parte dos agentes promotores para que se possa testar toda a gente", disse.

Portugal registou esta quarta-feira mais 1350 casos de infeção, o número mais alto desde fevereiro. A maior parte dos novos casos (928) foi diagnosticada na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde também ocorreram os seis óbitos registados. Há 351 pessoas internadas (+5), das quais 83 (+4) em estado crítico. O Hospital de Santa Maria, o maior do País, já duplicou para 42 as camas de enfermaria e aumentou para 14 (+6) as de Intensivos. Metade dos internados nesta unidade, em Lisboa, têm menos de 50 anos.

O índice nacional de transmissibilidade (Rt) da Covid-19 subiu de 1,09 para 1,12 e a incidência de casos de infeção por 100 mil habitantes subiu de 84,5 para 91. Estes são os dois critérios definidos pelo Governo para avaliar o processo de desconfinamento iniciado a 15 de março.

Nepaleses passam a cumprir isolamento
Os passageiros vindos do Nepal passam a cumprir isolamento à chegada a Portugal, e só entram por motivos profissionais, de estudo, de reunião familiar, por razões de saúde ou por razões humanitárias.

Astrazeneca pode ver intervalo reduzido
A DGS pondera reduzir o intervalo entre as duas doses da vacina da Astrazeneca das atuais 12 semanas, depois de estudos mostrarem eficácia de 92% contra a variante Delta para quem tomou 2 doses.

Costa não antecipa medidas em Lisboa
O primeiro-ministro descartou uma antecipação de medidas restritivas na capital, onde os casos já passam os 240 por 100 mil pessoas. "Lisboa terá o mesmo tratamento de outros concelhos", garantiu António Costa.

Certificados digitais a partir desta quinta-feira
A partir desta quinta-feira é possível pedir os certificados digitais. Esta quarta-feira começaram a ser emitidos os certificados de vacinação contra a Covid-19 e, a partir desta quinta-feira, passa a ser possível pedir no portal SNS24, além deste, os certificados de teste PCR e de recuperação.

Para obter o certificado, o cidadão deve aceder ao SNS24 e escolher o tipo de certificado que pretende. Após validação do pedido, o documento é disponibilizado no portal ou pode ser enviado para o email indicado, sem custos associados.

Esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, testou à chegada a Lisboa a aplicação móvel de leitura do sistema de verificação dos certificados digitais, que entrarão em vigor a 1 de julho. A aplicação está em fase de testes. O primeiro-ministro, António Costa, salientou que o certificado terá utilidade para viajar "mas também para situações como casamentos, que poderão realizar-se com mais segurança". Casamentos e batizados com mais de 10 pessoas obrigam à realização de testes.

Resultados são válidos por 72 horas
Após notificação no SINAVE de resultado negativo em teste PCR ou molecular rápido pode ser pedido certificado de teste: resultados são válidos por 72 horas desde a colheita. O certificado de recuperação é emitido entre 11 e 180 dias após o teste que confirmou a infeção, a pessoas com estado ‘curado’ na Trace-Covid.
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