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Correio da Manhã

Sociedade
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Falta de lágrimas causa instabilidade na visão

A Síndrome do Olho Seco cria dificuldades a várias rotinas.
Cláudia Machado 10 de Janeiro de 2016 às 20:38
Sexo feminino é o mais afetado pelo problema FOTO: iStockPhoto
Mais do que um reflexo das emoções, a lágrima guarda uma função essencial para a manutenção da saúde oftalmológica: mantém os olhos devidamente lubrificados. Sem elas, são muitas as consequências para a visão. De um simples desconforto até à dificuldade em cumprir rotinas, é forte o impacto da Síndrome do Olho Seco.

Este problema pode manifestar-se através de várias sensações oculares. "Entre os sintomas estão a sensibilidade à luz, os olhos vermelhos associados a lacrimejos e a dificuldade em cumprir atividades de fixação, como a leitura, a condução ou o uso do computador e flutuações na acuidade visual [capacidade do olho distinguir formas e contornos dos objetos]", explica ao CM Maria João Quadrado, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.

O diagnóstico de Síndrome do Olho Seco não significa, no entanto, que o doente não consegue chorar. Na verdade, em certas circunstâncias, o olho pode ter tendência a lacrimejar mais do que o normal, chegando a produzir lágrimas em excesso. É neste campo que toma importância a composição deste líquido, já que se a camada interna da lágrima estiver em falta, esta não se fixa no olho como deveria (ver infografia).

"Para além do desconforto, tem um impacto negativo nas atividades diárias dos doentes e mesmo na sua qualidade de vida", alerta a especialista.

Tratamento com lágrimas de substituição 
A Síndrome do Olho Seco "tende a ser uma doença crónica, sem solução definitiva", refere Maria João Quadrado, médica oftalmologista. O tratamento desta condição "é sempre efetuado com lágrimas de substituição", que surgem na forma de gel oftalmológico e corrigem a falta de produção de lágrimas naturais pelo doente. "Podem ainda ser utilizados colírios anti-inflamatórios, antibióticos orais ou suplementos com ácidos gordos ómega 3/ómega 6", acrescenta a especialista.

Casos mais graves tratados com bloqueio das ‘comportas’ 
Nos casos em que a doença apresenta maior gravidade, o tratamento pode passar "pela oclusão dos pontos lacrimais", explica Maria João Quadrado.
Os pontos lacrimais são a porta de saída da lágrima da zona ocular. Estão localizados no canto interior dos olhos e fazem a ligação ao saco lacrimal, encaminhando para lá as lágrimas produzidas, cumprindo o circuito natural.
Posto isto, com a produção deficiente nestes doentes, bloquear estes acessos permite preservar as poucas lágrimas produzidas.

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