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Correio da Manhã

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Filipe Lisboa, o português que "cresceu com o sonho" de observar o espaço e que agora se candidata a astronauta

Doutorando em alterações climáticas trabalha com imagens de satélite que lhe permitem monitorizar os efeitos do aquecimento global nos oceanos.
Lusa 31 de Março de 2021 às 07:58
Filipe Lisboa
Filipe Lisboa FOTO: Facebook
Filipe Lisboa "cresceu com o sonho" de observar o espaço, esta terça-feira trabalha na observação da Terra a partir do espaço, com dados de satélite, e vai candidatar-se a astronauta da Agência Espacial Europeia (ESA), uma "casa" que conhece.

A ESA abre hoje - e até 28 de maio - as candidaturas para recrutamento de novos astronautas, que deverão ser anunciados em outubro de 2022. Na mira, a agência tem a participação em futuras missões à Lua ou mesmo a Marte e aumentar o número de mulheres no espaço.

À Lusa, Filipe Lisboa, de 36 anos, disse que, sendo português, a sua candidatura serve para "motivar os jovens a tornarem-se mais interessados" sobre assuntos como o espaço e a serem "melhores alunos".

Mas, antes de mais, o que o motiva é a "paixão pelo espaço".

"Cresci com o sonho de observar o espaço", frisa o investigador, formado em física, na especialidade de astronomia e astrofísica.

Atualmente, o doutorando em alterações climáticas trabalha com imagens de satélite que lhe permitem monitorizar os efeitos do aquecimento global nos oceanos.

A ESA não é um território desconhecido. O investigador, que tem um mestrado em planeamento de missões com satélites em órbita, já trabalhou no Centro de Observação da Terra da agência espacial em Frascati, em Itália.

Filipe Lisboa candidata-se a astronauta da ESA porque também considera "extremamente interessante a ciência que se faz" quando se vai e fica no espaço, na Estação Espacial Internacional, a "morada" dos astronautas.

Parte para um novo desafio ciente de que, quanto mais se sabe sobre o Universo, mais importante se torna a necessidade de "preservar a vida na Terra, que é única" e ao mesmo tempo frágil, assinala.

A ESA, que não lançava um processo de recrutamento de astronautas desde 2008, pretende contratar quatro a seis pessoas para fazerem parte do seu corpo ativo, atualmente formado por sete astronautas, e selecionar um máximo de 20 pessoas para ficarem de reserva, nomeadamente para missões pontuais.

Pela primeira vez será selecionado um astronauta com alguma deficiência física.

O processo de seleção, exigente, decorre em várias etapas, que incluem testes técnicos, cognitivos, de coordenação motora e de personalidade, exercícios individuais e em grupo, provas médicas e entrevistas.

Ao candidato é pedido, como requisitos mínimos para submeter uma candidatura, forte motivação, vontade de participar em experiências científicas e um certificado médico europeu emitido por um examinador médico da aviação, o equivalente ao que é exigido a um piloto de um voo particular.

Filipe Lisboa ficou apto nos exames médicos e motivação é o que não lhe falta, mesmo que isso custe ficar longe da família se for um dos escolhidos.

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