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Correio da Manhã

Sociedade
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Gestor Costa e Silva defende que UE precisa de fazer muito mais pelos oceanos

Sobre o combate a substâncias como plásticos, considerou que se fala muito mais do que se age.
Lusa 8 de Junho de 2021 às 20:42
António Costa Silva
António Costa Silva FOTO: José Sena Goulão / Lusa
O gestor António Costa e Silva defendeu esta terça-feira que a UE tem de fazer muito mais pela preservação dos oceanos e pelo seu uso sustentável e considerou que o mar será fundamental na recuperação económica de Portugal.

"Aprecio muito o que a União Europeia está a fazer, mas precisamos de muito mais esforços", disse esta terça-feira Costa e Silva, na conferência "A Blue Agenda in The Green Deal", organizada no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE).

O gestor recordou o degelo do Pólo Norte nas últimas três décadas, sendo o gelo um importante regulador climático, e a descoberta de que a camada superficial do mar (três metros de espessura) tem uma energia calorífica acumulada 1.000 milhões de vezes superior à das bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaqui, o que tem impacto em mais eventos extremos (tempestades, tufões), para afirmar a importância de dar atenção aos oceanos e à sua utilização de um modo que os preserve e sirva toda a humanidade.

Afirmou ainda que há que estar atento aos dados que o oceano pode dar, referindo que o uso de sensores e sistemas de inteligência artificial no mar pode dar informação crucial para encontrar soluções para problemas que ameaçam o planeta e a vida na Terra.

"Com sensores no oceano temos informações sobre pressão, temperatura, acidificação, dióxido de carbono, volume de plásticos, volume de organismos biológicos. A sensorização do oceano é fundamental para futuro", disse.

c: "Nós falamos muito, mas fazemos muito pouco e tarde", vincou.

Sobre Portugal, o gestor que elaborou (a pedido do atual Governo) o documento que serviu de base ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) disse que o mar deve ser uma aposta de futuro e estar "no centro das políticas públicas", considerando a zona económica exclusiva fundamental na recuperação da economia, tendo em conta todos os constrangimentos com que Portugal se debate (economia débil, pequeno mercado interno, elevada dívida, pouco investimento).

Além disso, recordou, 90% do comércio mundial faz-se através dos oceanos, daí a importância dos portos e das plataformas logísticas que Portugal detém.

O Plano de Recuperação e Resiliência, entregue já pelo Governo a Bruxelas, prevê reformas e investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização no valor de 16,6 mil milhões de euros, dos quais 13,9 mil milhões de euros dizem respeito a subvenções a fundo perdido.

Ainda na conferência hoje realizada pela presidência portuguesa do Conselho da UE, Costa e Silva disse temer que passada a crise da pandemia de covid-19 se volte ao modo de vida e de economia anterior, sem que se aprenda qualquer lição.

"Se não mudarmos o nosso modelo de exploração de recursos, de degradação do ambiente e de desigualdades não resolveremos os problemas", afirmou.

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