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Sociedade
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Utentes sem médico de família enfrentam várias horas de espera sem garantia de consulta

Idosos chegam às 4h00 para conseguir senha.
Rita Monteiro e Correio da Manhã 4 de Outubro de 2022 às 01:31
Fila à porta do Centro de Saúde de Mem Martins, Sintra
Fila à porta do Centro de Saúde de Mem Martins, Sintra FOTO: Miguel Baptista
"Estou aqui desde as 4h15 e a minha senha é a 142 e ainda não fui chamada." O depoimento é de Alice Marques, de 75 anos, que perto das 12h00 desta segunda-feira ainda não tinha sido atendida no Centro de Saúde de Odivelas. “É uma vergonha como estão a tratar os utentes”, queixa-se ao CM, na fila longa que se formou junto à unidade.

Esta é a realidade de quase um milhão e meio de utentes em vários pontos do País, que não têm médico de família e são obrigados a ‘madrugar’ para conseguir uma consulta nos Cuidados de Saúde Primários. O cenário, que é mais evidente aos primeiros dias de cada mês, repete-se constantemente.

“Tenho estado aqui [junto ao Centro de Saúde de Odivelas] dias inteiros e saio daqui sem consulta. É uma vergonha o nosso serviço de saúde”, afirmou ao Correio da Manhã Idália da Conceição, de 83 anos, alertando que nem todos os que se levantam cedo para serem vistos por um médico têm garantia de serem atendidos.

Em Mem Martins, concelho de Sintra, o tempo mínimo de espera é de três horas. Hermínia Banha chegou às 07h00, “mas só dão as senhas às 10h00”. “São filas intermináveis. Sou diabética e hipertensa, quero marcar uma consulta e não consigo. É o sistema que temos. Não há médicos”, lamentou. A Grande Lisboa é a região que concentra o maior número de utentes sem médico de família atribuído.
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