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Correio da Manhã

Sociedade
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Incontinência pode ser evitada e tem tratamento

Em Portugal estima-se que existam 500 mil pessoas com a doença.
Edgar Nascimento e Hugo Mesquita 19 de Setembro de 2015 às 18:34
Cirurgias  têm uma taxa  de sucesso  na ordem dos  90 por cento
Cirurgias têm uma taxa de sucesso na ordem dos 90 por cento FOTO: catherine yeulet/getty images
Com o avançar da idade vão surgindo doenças próprias do envelhecimento, tais como demência, Parkinson ou Alzheimer. Este tipo de patologias facilita a ocorrência de perdas involuntárias de urina, a denominada incontinência urinária. Mas o surgimento desta situação não se deve somente ao avançar da idade.

Para o urologista Manuel Mendes Silva, este tipo de problemas deve-se, muitas vezes, a comportamentos praticados na juventude. O especialista alerta para a importância de uma boa educação miccional que merece, segundo o urologista, uma especial atenção como a que é dada à educação sexual e alimentar. "As pessoas devem saber urinar corretamente. Existem vários comportamentos de risco que devem ser combatidos. Não se deve reter a urina, deve-se urinar tudo de uma vez e urinar antes de atividades prolongadas," explicou ao CM.

Existem dois tipos mais comuns desta doença do sistema urinário: a incontinência urinária de urgência, que ocorre quando uma pessoa sente necessidade de urinar com frequência, e a incontinência urinária de esforço, que ocorre quando uma pessoa liberta urina devido a ações que impliquem algum esforço físico. Em ambas as situações existe tratamento. Em casos extremos, existe a possibilidade de recorrer à cirurgia que, segundo Mendes Silva, "tem uma taxa de sucesso na ordem dos 90%." Existem, no entanto, outras formas de combater a situação, como o tratamento por medicamentos, mas que "têm muitas vezes alguns efeitos colaterais, como a secura da boca ou prisão intestinal, que fazem com que muitos optem por outros métodos", sublinha o médico. O tratamento mais simples e com grande taxa de sucesso é a fisioterapia. "Deve-se proceder a vários exercícios para re-educar o pavimento pélvico, responsável pela contenção da urina," conclui o médico. 

Beber menos água pode ser prejudicial 
Os doentes que sofrem de incontinência urinária evitam muitas vezes consumir líquidos, mas este é um comportamento de risco. "Os doentes que sofrem de incontinência urinária não devem deixar de beber água, pois isso não melhora em nada o seu estado clínico e pode mesmo piorar, pois ficam mais vulneráveis ao aparecimento de infeções," realça o médico urologista Manuel Mendes Silva.

Em situações em que as pessoas estão em atividades mais prolongadas, como quando vão ao cinema ou realizam viagens longas, os doentes devem evitar ingerir líquidos. "Em situações em que não se podem deslocar para uma casa de banho por um grande período de tempo, devem evitar beber líquidos", sublinha. As pessoas com esta patologia devem aprender a gerir de uma maneira eficaz a sua bexiga. Se estiver vazia, devem ingerir líquidos, mas se se encontrar cheia, devem evitar beber qualquer líquido e deslocar-se a uma casa de banho. Os especialistas aconselham as pessoas a beber entre um litro e meio e dois litros por dia.
Manuel Mendes Silva saúde incontinência urinária
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