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Correio da Manhã

Sociedade
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Investigadores sugerem alimentação mais sustentável para aquacultura

Proposta está entre os resultados do projeto SeaFoodTomorrow, divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Lusa 28 de Abril de 2021 às 18:39
Alterações introduzidas com a fiscalidade verde representam um agravamento de 20% na taxa de recursos hídricos
Alterações introduzidas com a fiscalidade verde representam um agravamento de 20% na taxa de recursos hídricos FOTO: Direitos Reservados
Novas rações para peixe que substituam as fontes tradicionais de alimentação em aquacultura, como farinha e óleo de peixe, por ingredientes "naturais, sustentáveis e ecológicos", são apontadas num projeto científico como solução para tornar esta indústria mais sustentável.

A proposta está entre os resultados do projeto SeaFoodTomorrow, divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Segundo os autores do trabalho, será possível desta forma "produzir filetes de peixes fortificados com nutrientes essenciais para os consumidores".

No documento que divulgou, o IPMA considerou tratar-se de uma iniciativa de referência através da qual se estabeleceram as bases para "fortalecer a indústria" de produção e processamento de pescado na Europa, "assegurando a sustentabilidade do pescado para as gerações futuras".

O projeto foi iniciado em 2017 e recebeu financiamento do programa Europeu Horizonte 2020, com o objetivo de procurar soluções inovadoras para os maiores problemas do setor.

"Aproximadamente três mil milhões de pessoas dependem de pescado (selvagem e de aquacultura) como fonte principal de proteína. Como a população mundial e a aquacultura continuam em expansão, é crucial desenvolver novas soluções inovadoras e ecológicas para garantir que a segurança e qualidade globais do pescado consigam acompanhar as necessidades do mercado", justificou o IPMA em comunicado.

Os resultados do projeto, concluído este mês, apontam para novas tecnologias e ferramentas de deteção rápida que identificam contaminantes em pescado, podendo ser usadas pelos produtores para controlar o risco de contaminação e reduzir perdas económicas.

Os autores do estudo sugerem também um conceito de certificação associado a um rótulo de qualidade, bem como ferramentas baseadas em ADN que suportem a identificação fidedigna de espécies de pescado e que permitam ajudar a combater fraudes e assegurar a transparência ao longo da cadeia de valor do pescado.

Para melhorar o acesso a informação credível sobre o pescado foi desenvolvido um curso 'online' destinado a gestores do setor.

Por outro lado, o FishChoice (fishchoice.eu), uma página de Internet e uma aplicação para Android e IOS, podem ser usados pelos consumidores para avaliarem os benefícios nutricionais e potenciais riscos associados ao consumo de pescado, de forma personalizada.

Para assegurar a adoção dos resultados à escala comercial, bem como os planos dos parceiros do SEAFOODTOMORROW para explorarem mais oportunidades para os utilizadores finais poderem usufruir dos resultados obtidos, serão necessárias novas etapas.

De acordo com António Marques, coordenador do projeto e investigador do IPMA, citado no comunicado, os resultados obtidos ajudarão "a diminuir a pegada ambiental do setor do pescado e a incentivar o uso sustentável dos recursos marinhos".

"Esperamos que as nossas soluções ecoinovadoras cheguem ao mercado em breve e permitam que a sociedade continue a desfrutar do pescado como uma fonte alimentar segura e nutritiva. Algumas das nossas soluções requerem validação a nível industrial. Quando isto for alcançado, estamos confiantes de que os resultados irão ajudar a indústria do pescado a enfrentar os desafios futuros da sociedade, contribuir para o Acordo Verde Europeu, economia circular e desperdício zero no setor do pescado", acrescentou.

O SEAFOODTOMORROW resulta da colaboração entre mais de 60 investigadores de 35 instituições parceiras em toda a Europa.

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