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Correio da Manhã

Sociedade
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Líder do CDS responsabiliza MAI pelos festejos da conquista do Sporting

Francisco Rodrigues dos Santos lamentou que, até hoje, não tenha havido "uma única palavra de censura" por parte do primeiro-ministro.
Lusa 12 de Maio de 2021 às 20:53
Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS
Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS FOTO: Miguel A. Lopes / Lusa
O presidente do CDS-PP responsabilizou esta quarta-feira o ministro da Administração Interna pelos incidentes ocorridos nos festejos do título do Sporting, perguntando a António Costa "se o Presidente da República precisa de fazer um desenho" para demitir Eduardo Cabrita.

Numa intervenção na apresentação do acordo da coligação autárquica PSD/CDS-PP/Aliança/MPT/PPM para a Câmara de Almada, Francisco Rodrigues dos Santos lamentou que, até hoje, não tenha havido "uma única palavra de censura" por parte do primeiro-ministro "a um ministro que vai acumulando casos".

"Nós ontem [terça-feira] tivemos comemorações do título do Sporting, essas comemorações foram autorizadas pelas autoridades de saúde. Cabia naturalmente ao Governo, depois desse parecer técnico positivo, criar condições de planeamento, operacionais e logísticas para que decorressem com normalidade", disse.

Para o líder do PSD-PP, "o Governo, uma vez mais, através do MAI, não previu, não planeou e permitiu que acontecessem incidentes que nunca deviam ter ocorrido e colocaram em causa a segurança das pessoas".

"Aqui a responsabilidade não é das forças de segurança, a culpa não é dos adeptos de Sporting, a culpa é do ministro da Administração Interna, que se revela cada vez mais incompetente e vai somando uma montanha de casos", considerou.

Rodrigues dos Santos apontou que o Presidente da República já disse que haveria consequências políticas a retirar do caso de Odemira e, sobre os festejos do Sporting, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que "quem deve prevenir, não conseguiu prevenir".

"Eu pergunto ao primeiro-ministro se o Presidente da República precisa de fazer um desenho para que compreenda que ministro Eduardo Cabrita há muito que está a mais neste Governo", desafiou.

O Sporting sagrou-se na terça-feira campeão português de futebol pela 19.ª vez, 19 anos após a última conquista.

Durante os festejos, milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio, quebrando todas as regras do estado de calamidade em que o país se encontra devido à pandemia de covid-19, em que não são permitidas mais de dez pessoas na via pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua.

A maioria dos adeptos não cumpriu também as regras de saúde pública ao não respeitar o distanciamento social, nem o uso obrigatório de máscara.

Num comunicado emitido hoje à tarde, a direção nacional da PSP refere que os festejos dos adeptos do Sporting em alguns locais de Lisboa resultaram em "alterações relevantes da ordem pública" e que foi necessário reforçar o dispositivo policial para "restabelecer a ordem e tranquilidades públicas" e "conter as desordens", que consistiram "no arremesso, na direção dos polícias, de diversos objetos perigosos, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos pirotécnicos, que também atingiram outros cidadãos".

A PSP diz que foi obrigada a usar a força pública, incluindo o disparo de balas de borracha, para fazer face aos comportamentos "desordeiros e hostis por parte de alguns adeptos".

A polícia indica igualmente que deteve três pessoas, identificou outras 30 e apreendeu 63 engenhos pirotécnicos durante os festejos, tendo ainda ficado feridos quatro policias e diversas pessoas, que foram assistidas no local.

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