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Correio da Manhã

Sociedade
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Manifestantes na Cimeira Ibérica exigem fecho de Almaraz, fim de portagens e reposição de comboios

Sindicato defende a reabertura de "todos os serviços atualmente encerrados nos comboios Lusitânia e Sud-Express".
Lusa 10 de Outubro de 2020 às 12:48
O primeiro-ministro português, António Costa, com os homólogos espanhol, Pedro Sanchéz, e luxemburguês, Xavier Bettel durante a cimeira
O primeiro-ministro português, António Costa, com os homólogos espanhol, Pedro Sanchéz, e luxemburguês, Xavier Bettel durante a cimeira FOTO: EPA
Cerca de meia centena de sindicalistas, trabalhadores, ativistas e ambientalistas de Portugal e Espanha manifestaram-se este sábado, na Guarda, para exigir aos dois governos o encerramento da central nuclear de Almaraz, redução de portagens e reposição dos comboios internacionais.

Os protestos decorreram próximo do chafariz de Santo André, o local onde os chefes dos governos de Portugal e de Espanha, António Costa e Pedro Sánchez, respetivamente, iniciaram a 31.ª Cimeira Luso-espanhola dedicada à cooperação transfronteiriça e à articulação de uma estratégia conjunta para a recuperação económica.

Os manifestantes, que empunhavam cartazes e tarjas com as suas reivindicações, assobiaram e gritaram palavras de ordem quando Costa e Sanchéz chegaram ao local.

Durante o protesto gritaram frases como "Não ao nuclear, encerrar a central de Almaraz", "Sim à vida, não à mina", "Governo escuta, os trabalhadores estão em luta", "Comboios sim, portagens não" e "[Comboio] internacional a circular, para o ambiente melhorar".

O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) em Portugal entregou um documento aos governos dos dois países a apelar ao fecho da central de Almaraz (situada a cerca 100 quilómetros da fronteira) e da exploração de urânio em Retortillo (a cerca de 30 quilómetros da fronteira), referiu à Lusa José Janela, da comissão coordenadora do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) em Portugal.

O ambientalista disse que portugueses e espanhóis estão "contra a continuação" da central de Almaraz e pedem o seu fecho definitivo, alegando que "constitui um perigo" para as zonas fronteiriças.

O mesmo elemento do MIA pede a Costa que dê "um cotovelada mais vigorosa" a Sánchez e lhe diga que "agora é que é mesmo para encerrar Almaraz".

A Plataforma P'la Reposição das Scut´s nas autoestradas A23 e A25 voltou a exigir o fim das portagens nas antigas vias sem custos para o utilizador.

"Nós aqui estamos, mais uma vez, para sinalizar que o problema das portagens não vai morrer", disse à Lusa o porta-voz Luís Garra.

"É inconcebível que as fronteiras em toda a União Europeia estejam abertas para os comboios e a única que está fechada é [entre] Portugal e Espanha", explicou Fernando Pinto.

O sindicato defende a reabertura de "todos os serviços atualmente encerrados nos comboios Lusitânia e Sud-Express".

A União de Sindicatos da Guarda também aproveitou a ocasião para entregar ao Governo um documento com medidas para "valorizar quem trabalha e a produção nacional", pela defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.

Confederações empresariais pedem urgência no Plano de Recuperação europeu

As confederações empresariais de Portugal e de Espanha defenderam a urgência na implementação do Plano de Recuperação para a Europa, em resposta à crise provocada pela covid-19, e reafirmaram o seu compromisso no processo de recuperação económica.

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE) reafirmaram hoje, por ocasião da realização da Cimeira Luso-espanhola, na Guarda, "o compromisso da comunidade empresarial de Portugal e de Espanha no processo de recuperação económica" no quadro europeu.

"O novo enquadramento acordado pelo Conselho Europeu abre novas possibilidades para uma intervenção coordenada, através do financiamento de programas de reorganização estrutural do tecido produtivo, com impacto transversal a todo o espaço económico da União Europeia", referem as organizações empresariais em comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo a nota, "um dos domínios que confere à Europa coesão e dinamismo é o mercado único, núcleo do projeto de integração construído ao longo de décadas, que deve ser preservado e regressar ao topo da agenda política".

"Neste contexto, assume particular importância a disponibilização efetiva dos apoios europeus através dos instrumentos já adotados, nomeadamente o SURE, e a aprovação e implementação, o mais rapidamente possível, do Plano de Recuperação para a Europa", lê-se.

A CIP e a CEOE assumem o objetivo de "assegurar a autonomia estratégica da União Europeia, sem que tal seja confundido com a ilusão da autossuficiência, harmonizando-a com uma estratégia comercial de abertura ao mundo, enquadrada por regras prudentes e por políticas internas adequadas".

Este objetivo, referem, "exige uma política industrial dinâmica, com base numa estratégia que vise melhorar as condições que incentivem as empresas, de todas as dimensões, a investir, inovar e crescer".

As estruturas empresariais lembram ainda que os objetivos ambientais traçados no Pacto Ecológico Europeu "requerem um esforço acrescido das empresas europeias".

Também consideram que "na presença de fortes e persistentes debilidades económicas nos territórios transfronteiriços Portugal-Espanha, importa estimular a cooperação transfronteiriça, procurando complementaridades nesses territórios e envolvendo a participação do associativismo empresarial transfronteiriço".

"Neste quadro, depositamos as maiores expectativas na implementação da Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço acordada nesta cimeira, com particular ênfase na sua vertente de Desenvolvimento Económico e Inovação Territorial, com vista à atração de novas empresas e investimentos para estes territórios, com prioridade aos projetos dirigidos às Pequenas e Médias Empresas", apontam.

A CEOE e a CIP também reafirmam a importância de dotar a Península Ibérica de uma rede eficaz de transportes de mercadorias que ligue os seus portos ao centro da Europa, integradas nas redes transeuropeias e complementada por uma rede de infraestruturas logísticas enquadrada numa visão ibérica.

No protesto também participaram trabalhadores e dirigentes do Sindicato da Hotelaria do Sul, que exigiram a reposição dos comboios internacionais, uma vez que os trabalhadores da Serviral, empresa concessionária que explora os comboios internacionais que fazem os percursos Lisboa-Madrid e Lisboa-Hendaye (Lusitânia e Sud-Express), estão com os contratos de trabalho suspensos desde 17 de março, altura em que os comboios internacionais pararam.

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