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Correio da Manhã

Sociedade
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Musicoterapia ajuda jovens institucionalizadas

Lar Maria Droste, em Carnide, usa a música para ajudar jovens a expressar emoções.
29 de Novembro de 2015 às 08:19
Lar utiliza a música como forma de terapia para os jovens
Lar utiliza a música como forma de terapia para os jovens FOTO: José Sena Goulão/Lusa

A vontade de melhorar o dia-a-dia de uma jovem autista vítima de um passado de maus-tratos, que apenas acalmava ao som da música, levou a instituição que a acolhia a procurar na musicoterapia uma forma de a ajudar.

A jovem chegou com 15 anos ao Lar Maria Droste, em Carnide, Lisboa, uma instituição que acolhe meninas entre os 10 e os 17 anos vítimas de maus-tratos, abuso sexual, negligência parental, entre outras "situações de perigo".

"Sabíamos que não ia ser fácil ajudá-la com terapia convencional", tinha muitas "dificuldades no diálogo", mordia-se e batia-se quando estava em 'stress', contou à agência Lusa a educadora social do lar da instituição, Patrícia Santos. 

Segundo Patrícia Santos, a menina gostava muito de ouvir música: "Se puséssemos um rádio a tocar ficava tranquila a ouvir, a cantar e a dançar".

Projeto "Musicoterapia - Despertar de Emoções"

Rapidamente os técnicos perceberam que a melhoria da sua qualidade de vida passava pela música e abriram as portas do lar ao projeto "Musicoterapia - Despertar de Emoções".

Com a ajuda da musicoterapeuta Rita Maia "tudo mudou" no comportamento da menina, começou a "comunicar muito mais facilmente", voltou a comer sozinha, começou a saber esperar e deixou de auto agredir-se.

"A musicoterapia veio dar-lhe uma maior capacidade de lidar com a sua ansiedade interior e ajudou-a a comunicar connosco de uma forma ainda mais afetuosa", diz Patrícia Santos. A menina já deixou o lar, mas a musicoterapia ficou, com o apoio do Instituto Nacional de Reabilitação (INR) que possibilita que mais jovens participem no projeto.

Foi há cerca de dois meses que Joana (nome fictício), de 16 anos, integrou o projeto. Tem problemas de inserção social devido ao seu passado, "em que se anulou como pessoa que tem direitos para poder ajudar os familiares", conta Patrícia Santos.

Joana encontrou na musicoterapia uma forma de libertação e alegria, que foi bem expressa quando musicoterapeuta chegou para mais uma sessão a que a Lusa assistiu.

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