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Correio da Manhã

Sociedade
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Novas bactérias multirresistentes surgem em Portugal

Uma equipa de Investigadores de Coimbra descobriu que em Portugal estão a surgir bactérias que além de multirresistentes aos antibióticos são também agressivas, um dado considerado preocupante tendo em conta a elevada taxa de infecções hospitalares.

4 de Abril de 2012 às 14:37
Gabriela Silva alerta para a "necessidade urgente de um melhor controlo da infecção hospitalar e para a racionalização do uso dos antibióticos"
Gabriela Silva alerta para a 'necessidade urgente de um melhor controlo da infecção hospitalar e para a racionalização do uso dos antibióticos' FOTO: Reuters

"Recorrendo a estudos genéticos, temos verificado que estão a emergir estirpes simultaneamente resistentes e virulentas (violentas, agressivas), o que é preocupante", sustenta Gabriela Jorge da Silva, coordenadora da investigação, que está a ser desenvolvida, há uma década, na Universidade de Coimbra (UC).

Com a capacidade que as bactérias têm de transferir o seu material genético para outras famílias de bactérias, "a resistência à acção de antibióticos é cada vez maior", daí que "identificar estirpes bacterianas de origem animal ou hospitalar e os genes de resistência e de virulência, e a forma como estes se disseminam em vários ambientes, é de extrema importância para a compreensão do impacto na saúde pública da resistência aos antibióticos», afirma.

Gabriela Silva alerta, por isso, para a "necessidade urgente de um melhor controlo da infecção hospitalar e para a racionalização do uso dos antibióticos".

Segundo um estudo realizado em 28 países europeus, divulgado em Setembro de 2011, a taxa de infecções em doentes internados em hospitais portugueses é de 11 por cento, muito acima da média total, que se ficou pelos 2,6 por cento.


Para diminuir as infecções hospitalares, a Organização Mundial de Saúde instituiu o Dia Mundial da Higiene das Mãos, que se assinala a 5 de Maio, tendo Portugal aderido à campanha em 2008.

A investigação em curso abrange bactérias de origem hospitalar, animal e ambiental, resistentes a vários grupos de antibióticos, nomeadamente derivados da penicilina, incidindo na avaliação molecular da resistência e virulência de ‘Acinetobacter sp.’, ‘E.coli, Klebsiella sp.’ e ‘Salmonella sp.’.

Os investigadores conseguiram identificar "estirpes emergentes de Acinetobacter multirresistentes aos antibióticos, e de E.coli, assim como genes e novas estruturas genéticas envolvidas na disseminação da resistência aos antibióticos".

O objectivo dos estudos, "bastante complexos", é "abrir portas ao desenvolvimento de novas estratégias de combate a infecções hospitalares", e à descoberta de "novos antibióticos capazes de travar as novas resistências das bactérias".

Os estudos em curso envolvem uma equipa multidisciplinar, têm a colaboração dos Hospitais da Universidade de Coimbra e das Universidades de Tromso (Noruega) e de Leiden (Holanda) e são financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela ‘European Society of Clinical Microbiology and InfectiousDiseases’.

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