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Correio da Manhã

Sociedade
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Oito dias para recuperar visão

Três dos seis doentes que ficaram cegos no Hospital de Santa Maria (HSM) após serem tratados com Avastin deverão perder irremediavelmente a visão caso não recuperem a função "nos próximos oito dias". Este foi o prazo estipulado ontem por António Travassos, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, que está a dar apoio ao hospital. Entre estes três pacientes em pior estado inclui-se Valter Lago Bom, de 47 anos, que foi operado sábado pela segunda vez. "Continua a não ver nada mas está confiante", disse ao CM a esposa, Maria.
27 de Julho de 2009 às 00:30
Jesus Kellen, irmã de Valter Bom, e o director clínico Correia da Cruz
Jesus Kellen, irmã de Valter Bom, e o director clínico Correia da Cruz FOTO: Mariline Alves

O director do serviço de Oftalmologia do HSM, Monteiro Grilo, explicou em conferência de imprensa que ainda é cedo para perceber qual o resultado da intervenção, porque se trata de uma "cirurgia com alguma complexidade".

Para além destes três doentes em piores condições, Monteiro Grilo explicou que há dois pacientes que registaram "melhorias muito consideráveis" e devem "recuperar alguma visão". Um outro teve "melhoras significativas".

António Travassos precisou depois que um destes doentes "tem percepção luminosa" e o outro "já distingue cores". "Conseguiu reconhecer um objecto vermelho e outro amarelo", disse o especialista. Já o terceiro paciente suscita ao médico "algumas dúvidas" porque afirma ter capacidade de visão que não se confirma na prática.

Os especialistas frisaram que, à excepção de Valter, todos "estão melhor do ponto de vista anatómico". Travassos disse estar "absolutamente convencido" de que a cegueira foi provocada por "algo químico ligado ao produto injectado".

Monteiro Grilo lembrou que "esta é uma situação completamente anómala de que não existe registo em qualquer lugar do Mundo", frisando que "nada tem a ver" com outra ocorrida no Canadá.

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