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Correio da Manhã

Sociedade
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Ordem alerta para falta de médicos no hospital de Beja

Reclama uma "especial atenção" da tutela que permita a contratação destes profissionais.
5 de Fevereiro de 2018 às 19:07
Hospital de Beja
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Médicos
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Hospital de Beja
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Hospital de Beja
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O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, alertou esta segunda-feira para a falta de clínicos no hospital de Beja, reclamando uma "especial atenção" da tutela que permita a contratação destes profissionais.

"O que acontece em Beja é muito simples. Acontece numa região remota, numa zona do interior do país, uma carência de médicos de várias especialidades que é comum a todos os hospitais da zona sul, mas que, pelo posicionamento do hospital de Beja, é mais grave", disse Alexandre Valentim Lourenço.

O presidente do Conselho Regional do Sul (CRS) da Ordem dos Médicos falava à agência Lusa na sequência do manifesto assinado por 12 diretores de serviço do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, que alerta para o "risco iminente de colapso nas urgências de Pediatria e Obstetrícia" e para a "absoluta carência de médicos" na unidade.

Alexandre Valentim Lourenço, que vai estar hoje à noite nesta cidade alentejana, na receção aos internos da Sub-região de Beja, disse à Lusa ter tido conhecimento de que, neste hospital, "em dezembro, não se conseguiram fazer as escalas de urgência de Pediatria e de Obstetrícia" e de que há "graves carências na Anestesia e especialidades cirúrgicas".

"E essa carência de médicos, que se tentou resolver em dezembro, continua por resolver nestes dois primeiros meses" do ano, sublinhou.

Para o responsável, estes problemas devem-se ao facto de, no ano passado, a nível nacional, "não ter havido concurso para recém-especialistas" hospitalares, o que impossibilitou a sua contratação.

E, destacou, "alguns hospitais" estão a "ter dificuldade para fazer contratos individuais de trabalho com médicos".

"Neste hospital, como em outros, os serviços identificam colegas com vontade de trabalhar de forma permanente nesses locais, as propostas são, muitas vezes, feitas pelas administrações, mas, depois, a nível superior, normalmente [no Ministério] das Finanças, os contratos não são permitidos", criticou.

As empresas de prestação de serviços, indicou, também "têm sido empurradas, nos últimos meses, para pagamentos de hora inferiores", tornando mais difícil "encontrar médicos de qualidade para as escalas".

"Todos os hospitais precisam de contratos", mas "é preciso ter especial atenção em Beja", como em outros hospitais "muito afastados dos grandes centros", defendeu.

"Sendo o último recurso tecnológico e científico para as comunidades locais, eles têm que estar no topo da agenda para quem faz a contratação de recursos médicos hospitalares", sustentou.

O manifesto dos clínicos do Hospital de Beja, que faz parte da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), foi divulgado hoje e é assinado pelos diretores dos serviços de Psiquiatria, Fisiatria, Pediatria, Hematologia, Pedopsiquiatria, Medicina, Anestesia, Ortopedia, Obstetrícia, Hospital de Dia de Oncologia, Urgência e Patologia Clínica.

Unidade de Saúde do Baixo Alentejo reconhece "dificuldades" no hospital de Beja
O conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) reconheceu "as dificuldades existentes em várias especialidades médicas" no hospital de Beja, assegurando que "tudo" faz para procurar solucionar os problemas.

Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, a ULSBA diz reconhecer "as dificuldades existentes em várias especialidades médicas e os constrangimentos em atrair e fixar novos profissionais médicos na região".

Mas, pode ler-se, o conselho de administração "tudo faz, e continuará a fazer, para encontrar soluções concretas para os problemas já conhecidos".

"Existe uma preocupação constante, aliada a um forte sentido de missão, no que respeita à prestação de cuidados assistenciais de qualidade à população da área de abrangência da ULSBA" e "estaremos sempre disponíveis para, todos juntos, discutirmos problemas, definirmos estratégias e encontrarmos as melhores soluções", acrescentou o comunicado.

A posição do conselho de administração surge na sequência do manifesto público assinado por 12 diretores de serviço do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, que alerta para o "risco iminente de colapso nas urgências de Pediatria e Obstetrícia" e para a "absoluta carência de médicos" na unidade.
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