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Correio da Manhã

Sociedade
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Pandemia de Covid-19 fez disparar benficiários do Programa abem, que ajuda a comprar medicamentos

Das pessoas que recebem apoio do Programa, 32% são pessoas com 65 anos ou mais e 12% são crianças.
Lusa 25 de Maio de 2022 às 07:15
Lista tem 56 medicamentos com exportação temporariamente suspensa
Lista tem 56 medicamentos com exportação temporariamente suspensa FOTO: ricardo almeida
Os dois anos de pandemia de covid-19 fizeram disparar o numero de beneficiários do Programa abem:, que garante a compra de medicamentos prescritos a quem não tem possibilidades financeiras, e neste momento são já mais de 28.000.

Segundo disse à agência Lusa Maria João Toscano, diretora executiva da Associação Dignitude, promotora do Programa abem: Rede Solidária do Medicamento, houve "um acréscimo desmesurado de novas famílias" e, nos anos de 2020 e 2021, entraram mais de 7.000 novos beneficiários.

"Tivemos nas primeiras fases de pandemia um despedimento grande, muitas empresas a fecharem, muitas situações de pessoas com trabalhos em que a empresa é apenas a própria pessoa e que tiveram de fechar, ficando sem qualquer tipo de recurso para fazer face às suas despesas, nomeadamente em medicamentos", contou.

A responsável destaca este aumento de beneficiários e reconhece que, para uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) como a Dignitude, apesar da dispersão em termos nacionais, significa "alocar um número muito grande de pessoas para apoiar".

"Esta é uma situação que ainda não terminou e é previsível que este crescimento se mantenha", admite, alertando: "Vamos ter agora o término das moratórias e muitas outras responsabilidades que as pessoas puderam obviar - com os 'lay-off' -, levam agora a uma reorganização de todo o tecido empresarial, com impacto que resulta muitas vezes em despedimentos".

A responsável sublinha que há o risco de mais famílias ficarem "sem rede" para fazer face a uma situação essencial como o acesso ao medicamento para controlo da doença.

Maria João Toscano explicou à Lusa que o Programa abem: constituiu um fundo solidário autónomo que recebe donativos da sociedade civil, de parceiros da associação e de empresas e "só utiliza estes donativos para cocomparticipacão de medicamentos".

Sendo beneficiário do programa abem:, na compra de medicamentos, a parte que cabe ao utente pagar é garantida por este fundo, que a responsável reconhece que tem sempre de estar a ser alimentado.

"Estamos agora com uma campanha, que se chama 'um euro abem', junto da população, através das farmácias aderentes dispersas pelo país, porque temos de estar de forma sistemática a renovar aquilo que nos dão para fazer face a este crescimento desmesurado de beneficiários", explicou.

Nesta campanha, os portugueses são convidados a doar 1Euro ao Fundo Solidário abem: nas idas à farmácia. Todos os donativos recolhidos serão exclusivamente utilizados para garantir o acesso aos medicamentos prescritos e comparticipados a quem mais precisa.

"Não nos podemos esquecer que estamos a falar de franjas da população que são os mais pobres dos pobres. São aquelas pessoas que têm de escolher entre comprar o alimento de que necessitam ou o medicamento. E nós sabemos qual é a opção que vão tomar", afirmou.

Maria João Toscano refere que este programa da associação Dignitude acaba por aliviar despesas do Serviço Nacional de Saúde (SNS): "Se as pessoas tiverem a saúde controlada, não agravamos o orçamento do SNS e estamos a aliviá-lo noutra rubrica, que é a dos nos internamentos e nas urgências".

A responsável recorda que em grande parte da sociedade portuguesa os orçamentos familiares são muito baixos e muitas famílias não conseguem fazer face a todas as despesas, incluindo a compra de medicamentos prescritos pelo médico.

Quanto aos beneficiários do Programa abem:, diz que cerca de 32% são pessoas com 65 anos ou mais, 12% são crianças, mas mais de metade (56%) são pessoas em idade ativa, entre os 18 e os 64.

"Temos muita gente que está empregada, mas um dos elementos deixou de trabalhar e não conseguem fazer face a esta necessidade. O facto de trabalharmos diariamente e quando chegamos ao fim do dia não conseguimos fazer face àquilo que são despesas essenciais e exigentes, mas que não são grandes, para contribuir para a melhoria da nossa saúde, é algo muito constrangedor", frisou.

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