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Correio da Manhã

Sociedade

Portugal mantém uso da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca em contraciclo com nove países europeus

Formação de coágulos relacionados com a vacina leva países a suspender utilização.
Francisca Genésio 12 de Março de 2021 às 08:31
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Portugal mantém uso da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca em contraciclo com nove países europeus
Portugal não vai suspender a administração da vacina da AstraZeneca/Oxford, depois de terem sido registados casos de formação de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas com um lote em específico, distribuído a 17 países da União Europeia. Pelo menos nove países europeus suspenderam, temporariamente, o recurso à imunidade.

Em comunicado, o Infarmed justifica a decisão com o facto de os resultados preliminares sugerirem "não existir uma relação causal entre a administração desta vacina e estes eventos. Neste sentido, os benefícios da utilização da vacina da AstraZeneca mantêm-se superiores ao risco, não havendo qualquer alteração às recomendações sobre a sua utilização".

Ao CM, o Infarmed acrescenta que "em Portugal, não foram notificados quaisquer casos desta natureza [...] e que os lotes em causa não estão a ser utilizados em Portugal". Na quarta-feira, as autoridades de Saúde aprovaram o uso da vacina em pessoas com 65 ou mais anos. Desde que a Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou a vacina da AstraZeneca, ao País já chegaram 259 200 doses, revela o último relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

A vacina da AstraZeneca prevê a toma de duas doses espaçadas entre 12 semanas. O documento refere que foram administradas 148 423 primeiras doses e 17 segundas doses, ainda que a data em que a imunidade começou a ser tomada em Portugal não permita a administração da segunda. A norma da vacinação diz que a marca das vacinas tem de ser a mesma nas duas doses. O CM pediu esclarecimentos ao Ministério da Saúde mas não obteve resposta.

A Áustria foi o primeiro país a suspender o uso da vacina. Uma enfermeira morreu de trombose múltipla dez dias após a toma da vacina e um segundo doente foi diagnosticado com embolia pulmonar. A EMA alega que até ao momento não há relação entre os problemas e a vacina, embora esteja a investigar.

"Não sabemos onde as pessoas se infetam"
O Rt - índice de transmissibilidade da Covid-19 - representa o número médio de pessoas que são contagiadas por cada uma já infetada. "Imaginemos que estamos ao volante do nosso carro; temos a velocidade e a aceleração, a primeira simboliza a incidência da Covid-19, a aceleração é o Rt. Ou carregamos no acelerador e aumentamos a velocidade [Rt é igual ou superior a um] ou, então, no travão e diminuímos a velocidade [Rt inferior a um]", explica ao CM o especialista do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, Miguel Castanho. Para o investigador, a maior dificuldade é o rastreamento das infeções: "Não sabemos onde é que as pessoas, em confinamento, estão a ser infetadas. Logo, não podemos fazer um desconfinamento consciente". O valor, que como realçou esta quinra-feira o primeiro-ministro é de 0,78, será atualizado esta sexta-feira pelo Instituto Ricardo Jorge.
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