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Correio da Manhã

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PSP, enfermeiros, lesados do BES e oficiais de justiça pedem "atenção" durante manifestação no Porto

Profissionais em protesto para se "fazerem ouvir e pedir atenção" pelos líderes nacionais e europeus que participam na Cimeira Social.
Lusa 7 de Maio de 2021 às 17:46
PSP pedem 'atenção' durante manifestação no Porto
PSP pedem 'atenção' durante manifestação no Porto FOTO: CMTV
Agentes da PSP, lesados do BES, enfermeiros e funcionários judiciais manifestaram-se esta setxa-feira, no Porto, para se "fazerem ouvir e pedir atenção" pelos líderes nacionais e europeus que participam na Cimeira Social.

Da parte da manhã, e aproveitando a vinda dos principais líderes europeus à Câmara Municipal do Porto para receberem as chaves da cidade, um grupo de agentes da PSP e outro de lesados do BES concentraram-se, na Avenida dos Aliados e a cerca de 300 metros da cerimónia, em duas manifestações diferentes.

Devido ao forte dispositivo de segurança e aos condicionamentos de trânsito na envolvente dos Paços do Concelho, onde decorreu a sessão de boas-vindas, estes dois grupos de manifestantes não conseguiram aproximar-se do primeiro-ministro, António Costa, nem da comissária portuguesa com a pasta da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e do presidente do Parlamento Europeu, David Maria Sassoli.

Contudo, conseguiram fazer-se ouvir através do som de vuvuzelas, barulho que se intensificou à saída destes líderes do município.

Os cerca de 30 profissionais de PSP exigiram a atribuição do subsídio de risco e a atualização de salários, aproveitando a Cimeira Social para mostrar "a forma como o Governo português trata" estes profissionais.

O protesto teve por objetivo reivindicar o "subsídio de risco e a revisão da tabela salarial, desatualizada há muitos anos", disse à Lusa Pedro Carmo, da Organização Sindical dos Polícias, que integra a Aliança dos Sindicato da PSP, que organizou a manifestação.

Muito próximos, mas numa concentração independente, estiveram cerca de 20 lesados do BES que, rodeados de faixas onde se apelidavam de "roubados do Novo Banco", exigiram uma solução, sob pena de avançar com uma greve de fome.

"Se não reverem o assunto, há aqui pessoas que estão a pensar fazer uma greve de fome", revelou António Silva em declarações à Lusa.

Salientando estar a fazer todos possíveis para evitar este cenário, o lesado do BES e empresário na área das importações indicou que esta semana foi enviado um apelo ao presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, que participa na Cimeira Social, pedindo para que intervenha junto das entidades portuguesas para que o problema tenha resolução.

Já na Estação de São Bento, próxima da Avenida dos Aliados, uma dezena de enfermeiros pediram à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leynen, a "obrigar" o Governo português a cumprir as leis de trabalho previstas na Constituição.

A presidente do Sindicato Independente de todos os Enfermeiros Unidos do Continente e Ilhas (SITEU), Gorete Pimentel, referiu à Lusa que o protesto visou denunciar as injustiças e precariedade da carreira de enfermagem.

Já à tarde, cerca de 30 funcionários judiciais vestidos de negro exigiram ao primeiro-ministro, António Costa, que aplique os mesmos princípios constantes do Pilar Social Europeu, defendendo a revisão da carreira, num protesto frente à Câmara do Porto.

"Aproveitamos a realização da Cimeira Social no Porto para dizer a António Costa que também é importante que o primeiro-ministro português aplique, no Ministério da Justiça, aos trabalhadores judiciais os princípios que constam desse Pilar Social Europeu", afirmou, em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, António Marçal.

A Cimeira Social decorre esta sexta-feira no Porto com a presença de 24 dos 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia, reunidos para definir a agenda social da Europa para a próxima década.

Definida pela presidência portuguesa como ponto alto do semestre, a Cimeira Social tem no centro da agenda o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, que prevê três grandes metas para 2030: ter pelo menos 78% da população empregada, 60% dos trabalhadores a receberem formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas, cinco milhões das quais crianças, em risco de pobreza e exclusão social.

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