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Correio da Manhã

Sociedade
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Restauração ameaça não reabrir se não for de forma plena

Reabertura de esplanadas ou em modo reduzido, até às 13h00, ao fim de semana, foi mal recebida pelo setor, afirma a PRO.VAR.
Lusa 11 de Março de 2021 às 12:29
Setor da restauração em tempo de pandemia
Setor da restauração em tempo de pandemia FOTO: Getty Images
A PRO.VAR - Promover e Inovar a Restauração Nacional disse esta quinta-feira que o desconfinamento gradual previsto para o setor "foi muito mal recebido" pelos empresários, que querem reabrir de forma plena e, assim, ameaçam fechar em sinal de protesto.

"O cenário previsto de abrirem apenas as esplanadas ou em modo reduzido, até às 13:00, ao fim de semana, foi muito mal recebido pelo setor da restauração, o setor quer abrir de modo pleno", lê-se num comunicado enviado pela associação.

Segundo a PRO.VAR, "o setor não tem condições, nem capacidade financeira para adotar a estratégia do 'abre e fecha'" e os empresários querem "abrir com condições plenas", caso contrário "'ameaçam' fechar em sinal de protesto".

No comunicado assinado pelo presidente, Daniel Serras, a associação refere que o setor da restauração "está mergulhado numa profunda crise" e considera que a estratégia que está a ser pensada pelo Governo para o desconfinamento, tanto quanto se conhece até ao momento, "irá ser a machadada final", colocando a restauração num "perigoso limbo".

A PRO.VAR deu também conta de ter estado reunida com o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres, e com a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, na quarta-feira, num encontro onde foi feito um ponto de situação sobre a restauração.

"O cenário apresentado é de rotura, estamos a assistir à destruição do tecido empresarial, além das empresas do setor da restauração, na cadeia de valor, estão também os próprios fornecedores, que até agora ajudaram a 'mascarar' a insuficiência dos apoios, por moratórias forçadas, mas que agora já se esgotou", alertou Daniel Serras.

A associação disse temer que o Governo "não tenha aprendido com os erros do passado" e, neste sentido, apresentou ao executivo uma proposta "que pretende definir "balizas" e "linhas vermelhas", de modo a garantir a segurança, aumentar a confiança e permitir viabilidade dos negócios".

O Conselho de Ministros reúne-se hoje para aprovar um plano do Governo de desconfinamento do país, o qual será gradual, diferenciado em termos de abertura de atividades e flexível em função de indicadores de risco.

Este plano deverá apresentado pelo primeiro-ministro, António Costa, em conferência de imprensa, no final da reunião do Governo, após a Assembleia da República votar a meio da tarde a proposta de decreto presidencial para a renovação do estado de emergência a partir de 17 de março.

Na quarta-feira, o ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, no final de uma reunião da Concertação Social, admitiu que algumas áreas abram antes da Páscoa, embora adiantando que o executivo ainda não sabe quais, porque "quer decidir de forma segura e informada, com base nas auscultações que tem feito".

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