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"Se ficar doente, vale a pena": ‘Cobaias humanas’ voluntariam-se para serem infetadas com Covid-19 em estudo pioneiro

Jovem de 18 anos é um dos 90 voluntários e diz que não pensou duas vezes em oferecer-se.
Correio da Manhã 18 de Fevereiro de 2021 às 15:22
Alastair Fraser-Urquhart
Alastair Fraser-Urquhart FOTO: Direitos Reservados

Após ser aprovado, no Reino Unido, o primeiro estudo mundial sobre a Covid-19 em que voluntários são ‘cobaias humanas’ e são deliberadamente infetados com o novo coronavírus, vão-se conhecendo os rostos de quem, voluntariamente, se ofereceu para ficar doente com Covid-19 no âmbito desta investigação.

O objetivo destes "estudos de desafio" [challenge studies, em inglês] é estabelecer qual a quantidade mínima de vírus necessária para causar a infeção, o que permitirá aos médicos compreender melhor a doença e ajudar na resposta à pandemia.

Um dos voluntário é Alastair Fraser-Urquhart, de apenas 18 anos, que falou ao Independent e mostra-se despreocupado com o facto de poder ficar gravemente doente e até com sequelas mais ou menos permanentes. "Eu acho mesmo que os benefícios são tão extremos que, apesar dos riscos serem altos, são esmagados por esses benefícios. Nós precisamos da informação que este estudo nos vai dar sobre como lidar com a pandemia", defende o jovem, quando questionado do porquê de se voluntariar.

O estudo da empresa hVIVO vai usar a variante da Covid-19 detetada no Reino Unido desde março de 2020 e que os cientistas consideram ter um risco reduzido em adultos jovens saudáveis, à qual os voluntários vão ser expostos "um ambiente seguro e controlado" e acompanhados de perto por médicos e investigadores. Ainda assim, há riscos para os 90 participantes que vão ser infetados com Covid-19 através da aplicação de um spray nasal que contém o coronavírus.

Há estudos que sustentam que apenas uma em cada 100 pessoas na faixa etária 18-30 anos fica com sequelas, que vão desde à perda de olfato e paladar a dificuldades respiratórias e fatiga extrema, mas há risco de alguns participantes poderem ficar com estes problemas de saúde. "Eu sei, e não há cura para isso. Mas para mim, se isso acontecer, continuou a achar que vale a pena. Sem estes estudos a pandemia só se vai arrastar mais tempo", considera o jovem inglês.

Questionado sobre se foi a primeira reação que teve ao saber da existência deste estudo de desafio, Alastair é perentório: "Primeiro pensei ‘Espera, eles já estão a fazer isto?’. A segunda reação foi logo voluntariar-me".

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