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Correio da Manhã

Sociedade
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Seca prolongada pode levar a cortes de água

Barragens de Odeleite e Beliche, no Algarve, só têm água até ao próximo ano.
Ana Palma e Lusa 13 de Agosto de 2022 às 10:14
Barragem de Beliche tem 11% do volume de armazenamento
Aldeias como Corte do Gago, em Castro Marim, são abastecidas de água por autotanques
Campilhas regista apenas 4%
Barragem de Beliche tem 11% do volume de armazenamento
Aldeias como Corte do Gago, em Castro Marim, são abastecidas de água por autotanques
Campilhas regista apenas 4%
Barragem de Beliche tem 11% do volume de armazenamento
Aldeias como Corte do Gago, em Castro Marim, são abastecidas de água por autotanques
Campilhas regista apenas 4%
A seca que assola o País afeta em particular o Algarve. No Barlavento, a barragem da Bravura encontra-se a cerca de 11% da sua capacidade e a partir do fim deste mês deverá entrar na zona morta, ou seja, a água que dali for extraída - e exclusivamente para consumo humano - terá de ser feita com bombas.

No Baixo Guadiana, o autarca de Castro Marim admite "cortes substanciais" no abastecimento de água "no próximo verão". Isto porque, segundo Francisco Amaral, a barragem de Odeleite - que, com a do Beliche, abastecem o Sotavento -, neste momento, "só têm água para garantir o abastecimento para um ano".

Diz ainda que "há mais de um ano" que se procura um local para a central de dessalinização" na região e defendeu a criação de outra barragem na ribeira da Foupana, posição que é também defendida pelo edil de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves. Já o presidente da Câmara de Almodôvar, no Baixo Alentejo, admite que "se não chover "em setembro/outubro", poderão ser feitos cortes no abastecimento público "nos meses de inverno".

O concelho é abastecido pela barragem do Monte da Rocha, no concelho de Ourique. "Mas por enquanto ainda há água", afiança.

27 barragens enfrentam verão com menos de 40% da capacidade máxima
Agrava-se o nível de armazenamento das barragens. Os últimos dados da Agência Portuguesa do Ambiente revelam que das 62 unidades monitorizadas há 27 com volumes inferiores a 40% para enfrentar o verão. Sete barragens estão agora no vermelho, por terem valores até 20%. A saber: Alto Lindoso (Rio Lima) com 15%; Alto Rabagão (20%) e Paradela (7%) no Rio Cávado; Vilar-Tabuaço (14%) na bacia hidrográfica do Douro; Campilhas (4%) e Monte da Rocha (10%), no Sado; e Bravura (11%), no Barlavento.

Pormenores
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