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Correio da Manhã

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Sindicato denuncia agressão a médica e lamenta que plano de prevenção continue "na gaveta"

“É lamentável que quem nos tutela não nos proteja, quer de agressões físicas, quer de agressões verbais”, afirmou dirigente do Sindicato Independente dos Médicos.
Lusa 27 de Setembro de 2022 às 23:38
Mulher de nacionalidade indiana, que morreu a 27 de agosto no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, tinha chegado a Portugal há 15 dias, proveniente da Sérvia
Mulher de nacionalidade indiana, que morreu a 27 de agosto no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, tinha chegado a Portugal há 15 dias, proveniente da Sérvia FOTO: Vítor Mota
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) denunciou esta terça-feira que uma médica foi agredida na urgência do Hospital de São Francisco Xavier, lamentando que o plano de prevenção da violência na saúde continue "na gaveta".

A obstetra, que cumpria uma prestação de serviços na urgência do hospital, foi agredida por duas pessoas na tarde de segunda-feira e esta terça-feira "não estava em condições de ir trabalhar", adiantou o sindicato, que se solidarizou com a médica, a quem disponibilizou apoio jurídico.

Em declarações à Lusa, a dirigente do SIM, Maria João Tiago, lamentou que o Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde, apresentado em janeiro deste ano, na prática "continue na gaveta, porque não há instruções e nunca foi divulgado".

"É lamentável que quem nos tutela não nos proteja, quer de agressões físicas, quer de agressões verbais, e que, ao fim deste tempo todo, o plano da violência sobre os profissionais de saúde não esteja bem instituído", adiantou a médica.

A sensação de impunidade é "muito grande", alertou ainda Maria João Tiago, ao exemplificar a situação em que um agressor "continua na lista do médico de família" agredido, ao mesmo tempo que "diretores de serviço desvalorizam a situação e fingem que nem existiu".

"Nada acontece e é uma grande dificuldade, muitas vezes as autoridades de saúde quase que nos desmotivam a apresentar queixa do sucedido", afirmou a dirigente Secretariado Regional de Lisboa e Vale do Tejo do SIM.

Em março, a PSP anunciou que registou 961 situações de violência em hospitais e centros de saúde em 2021, mais 16% do que em 2020.

A PSP indicou também que cerca de 65% da violência registada é praticada por utentes, 21% pelos familiares ou acompanhantes dos doentes, 13% por profissionais de saúde e 1% por visitantes ou outras pessoas.

 A comarca de Lisboa registou 23 inquéritos crimes contra profissionais de saúde em 2021, um crime que o Mistério Público (MP) tinha alertado em 2020 para a tendência acentuada de aumento.

Os profissionais da saúde que notificam mais casos de violência são os enfermeiros e os médicos e a maioria das situações são de violência verbal e física.

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