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Correio da Manhã

Sociedade
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Sindicato e profissionais de educação denunciam despedimento de dois mil trabalhadores

"Precisamos de mais pessoal [nas escolas] e estão a mandar-nos embora", disse uma assistente operacional.
Lusa 28 de Julho de 2021 às 16:55
Concentração de funcionários da Função pública do Setor da Educação, junto ao Ministério da Educação na Avenida Infante Santo em Lisboa
Concentração de funcionários da Função pública do Setor da Educação, junto ao Ministério da Educação na Avenida Infante Santo em Lisboa FOTO: Ministério da Educação
Cerca de 30 dirigentes sindicais e profissionais do setor da Educação concentraram-se esta quarta-feira em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, para denunciar o despedimento de cerca de dois mil trabalhadores não docentes.

O coordenador da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, Sebastião Santana, disse à Lusa que há cerca de 1500 trabalhadores que foram contratados para responder às regras sanitárias e "que vão ver o fim dos seus contratos a 31 de agosto".

A estes, continuou, somam-se "cerca de 500 trabalhadores que têm os contratos precários renovados anualmente desde 2017 e que mais uma vez estão à espera", continuando com "a casa às costas".

Nesta situação encontra-se a assistente operacional Madalena Campos, de 43 anos.

"Precisamos de mais pessoal [nas escolas] e estão a mandar-nos embora. Isto não é justo. Preciso de trabalho, estou a lutar pelo que quero e sou esforçada. Chega a esta altura e é sempre a mesma coisa: estamos em cima da ponte e não sabemos se nos devemos atirar ou não", desabafa.

Em igual estado de espírito e profissional está Linda Soares, de 47 anos, que diz sentir-se "angustiada e descartável".

"Com a covid-19 ainda precisam mais do nosso trabalho. Se formos embora, as escolas não vão ficar desinfetadas. Para além que vamos todos para o desemprego quando somos necessários", acrescenta.

Sebastião Santana sublinhou a Federação "já enviou vários ofícios ao Ministério tanto para saber o número exato de trabalhadores [nesta situação], como para saber qual é a perspetiva de renovação destes contratos e até hoje permanece o silêncio absoluto".

O dirigente sindical considerou que é "uma questão elementar de justiça" contratar estes trabalhadores e afirmou que, mesmo assim, estariam "a faltar assistentes operacionais nas escolas".

É recorrente, observou, haver escolas "com um assistente operacional para cada cem alunos", o que "impossibilita a educação e formação na escola porque os ambientes circundantes são determinantes e têm de ser vigiados", ficando essa tarefa comprometida "com a ausência de trabalhadores não docentes".

A Federação exige "da parte do Governo, e do Ministério da Educação em particular, que cumpra com aquilo que vem na Constituição: uma escola pública de qualidade que só é possível com estes e outros trabalhadores que fazem falta". 

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