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Correio da Manhã

Sociedade
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Tabaco associado a mais de vinte doenças

Um em cada cinco portugueses com mais de 15 anos é fumador.
Francisca Genésio 23 de Setembro de 2018 às 09:58
Tabaco
Palmira Correia
Terapia com choque
Consulta de cessação tabágica
Adesivos de nicotina
Fumo passivo
Tabaco
Palmira Correia
Terapia com choque
Consulta de cessação tabágica
Adesivos de nicotina
Fumo passivo
Tabaco
Palmira Correia
Terapia com choque
Consulta de cessação tabágica
Adesivos de nicotina
Fumo passivo
Os portugueses têm dado alguns passos certos para reduzir problemas respiratórios, revela um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) Europa, que indica que um em cada cinco portugueses maiores de 15 anos é fumador (20%). O número é inferior ao da média europeia (28%).

Os dados mostram melhorias, mas para os especialistas ainda há muito a fazer já que o consumo de tabaco é responsável por uma elevada mortalidade. De acordo com a OMS Europa, só em 2016, morreram quase 12 mil pessoas por doenças associadas ao tabaco. "Está provada a associação do tabaco a mais de 20 doenças.O risco de desenvolver cancro do pulmão é diretamente proporcional ao consumo diário de cigarros e ao número de anos de tabagismo", explica ao CM a médica e responsável pela consulta de cessação tabágica no Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, Eduarda Pestana.

A especialista lembra ainda que "não restam dúvidas de que o tabaco também está implicado no desenvolvimento de doenças respiratórias como a bronquite crónica, doença pulmonar obstrutiva cónica ou até de doenças cardiovasculares" como enfartes e tromboses.

O MEU CASO
"Nunca mais peguei num cigarro"
Palmira Correia começou a fumar aos 18 anos, quando entrou na Universidade. "Fui aumentando o número de cigarros diários, até que cheguei aos dois maços diários", disse ao CM. A assessora de comunicação, de 60 anos, reduziu o número de cigarros quando engravidou, por indicação do médico. "Um dia fui almoçar fora com a minha mãe e a seguir ao almoço acendi o tão desejado cigarro. Nesse momento a minha mãe recomendou-me que aproveitasse a gravidez para deixar de fumar, já que ia precisar de saúde para criar o meu filho e assim foi. Nunca mais peguei num cigarro", lembra.

Terapia com choques nas orelhas para deixar o vício
Os problemas associados ao tabaco são conhecidos, assim como algumas formas para deixar de fumar. A mais recente, e cuja procura tem aumentado, chama-se auriculoterapia ou eletroterapia auricular, que consiste em "estimulação elétrica do pavilhão auricular, ou seja, das orelhas", explica ao CM a pneumologista Susana Moreira, realçando que a técnica tem sido descrita como "segura e eficaz, mas na verdade não tem reconhecidos estudos científicos a demonstrar a eficácia".

Há casos em cuja técnica consiste também em choques no nariz. A eletroestimulação tem como objetivo impulsionar as redes de neurónios em regiões cerebrais inibidoras de comportamento, aumentando a capacidade de resistir à necessidade de fumar. Em Portugal, o procedimento ainda não é realizado em muitas unidades e o preço é variável. Outro método para deixar o vício do tabaco são os adesivos de nicotina.

O tratamento, que fornece ao organismo a dose de nicotina sem criar dependência, dura cerca de três meses. É possível adquiri-los nas farmácias.

Preocupação com fumo passivo
Os médicos têm-se mostrado preocupados com o impacto do tabaco nos fumadores passivos. "Na criança, a exposição ao fumo do tabaco é de particular preocupação, não só pelas doenças respiratórias que podem ocorrer, mas também pelo risco de morte súbita", explica a coordenadora da Unidade de Pneumologia do Hospital dos Lusíadas em Lisboa, Susana Moreira.

DISCURSO DIRETO
Susana Moreira, Pneumologista no Hospital dos Lusíadas
"Melhoria do olfato e da pele"
CM - Que benefícios imediatos tem uma pessoa que deixa de fumar?
Susana Moreira - A melhoria do olfato, do paladar e do aspeto da pele. No primeiro ano, ocorre melhoria dos sintomas respiratórios e redução do risco cardiovascular, embora só ao fim de 15 anos o risco de doença coronária iguala o do não fumador.

CM - E a longo prazo?
Susana Moreira - Após cinco anos, o risco de acidentes vasculares cerebrais, como trombose ou hemorragia cerebral iguala o do não fumador.

CM - A probabilidade de vir a ter cancro do pulmão iguala também a do não fumador?
Susana Moreira - O risco de cancro do pulmão nunca chega a ser igual ao de um não fumador. Ao fim de 15 anos, o risco reduz-se substancialmente, mas é sempre superior.
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