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Correio da Manhã

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Trabalhadores do 'picking' da Super Bock em greve de três dias por aumentos salariais

Adesão dos trabalhadores tem sido "mais baixa" no turno de dia, mas "quase total" à noite, afirmou dirigente do Sintab.
Lusa 25 de Agosto de 2020 às 16:59
Trabalhadores reivindicam aumentos salariais
Trabalhadores reivindicam aumentos salariais FOTO: Direitos Reservados
Os trabalhadores de 'picking' da Leta, que presta serviços logísticos à Super Bock, cumprem esta terça-feira o segundo de três dias de greve por aumentos salariais, com uma adesão "mais baixa" no turno de dia, mas "quase total" à noite.

"A greve tem tido dois períodos distintos, com uma adesão mais baixa durante o turno de dia, e uma adesão quase total no turno da noite", disse à agência Lusa José Eduardo Andrade, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab).

Segundo este responsável, na segunda-feira "os trabalhadores do turno de dia deram conta aos dirigentes sindicais de que concordavam com os motivos da greve, mas teriam receio de sofrer represálias, fruto de ameaças proferidas pelas chefias de os transferir de posto de trabalho e da retirada de subsídios".

A agência Lusa contactou a administração da Leta, empresa de prestação de serviços que opera em regime de exclusividade no setor de logística da Super Bock, mas esta não quis comentar a greve.

De acordo com o Sintab, os cerca de 30 trabalhadores adstritos ao serviço de 'picking' da Super Bock em Leça do Balio, Matosinhos, estão encarregues da preparação e entrega de pequenas encomendas ao canal 'horeca' (hotelaria, restauração e cafetaria) e aos super e hipermercados na zona do Grande Porto.

Estes trabalhadores reclamam aumentos salariais, nomeadamente a aplicação à sua atividade do acordo alcançado no ano passado para os manobradores de cargas da Leta, que prevê atualizações salariais "em função do aumento do salário mínimo, num mínimo de 30 euros", para os próximos três anos.

Segundo José Eduardo Andrade, a greve "resulta da falta de resposta da entidade patronal às reivindicações dos trabalhadores, mesmo depois de estes terem alterado a sua proposta inicial com vista a acordar a aplicação do mesmo acordo só em janeiro de 2021".

Salientando que os trabalhadores "têm batido este ano recordes de preparação de encomendas na secção do 'picking'", o dirigente sindical acrescenta que, também este ano, se viram confrontados com a introdução de uma função adicional de "preparação do material de ponto de venda", que inclui desde a montagem de publicidade a guarda-sóis, o que "leva até a uma outra reivindicação, de pagamento acrescido por trabalho pesado".

De acordo com o sindicalista, esta necessidade resultou do facto de a Super Bock ter "acabado com serviço de 'marketing' operacional".

Embora acuse a empresa da "prática de ilegalidades, como a substituição de trabalhadores em greve", o Sintab afirma que a paralisação já teve "implicações na capacidade de resposta da Super Bock" e prevê que "terá repercussões acentuadas nas encomendas para os cafés, restaurantes e supermercados da área do Grande Porto, durante os próximos dias".

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