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Correio da Manhã

Sociedade
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Turismo e reindustrialiação prioritários no relançamento do país, considera a Super Bock

Presidente executivo considerou que a recuperação deste setor "tem que ser assumida como um desígnio nacional".
Lusa 9 de Dezembro de 2020 às 14:52
Turismo em Portugal
Turismo em Portugal FOTO: Getty Images
O presidente executivo (CEO) do Super Bock Group, Rui Lopes Ferreira, apontou esta quarta-feiraa recuperação do turismo e uma reindustrialização focada na produção de bens transacionáveis como as duas prioridades no relançamento de Portugal no período pós-pandemia.

"Creio que o caminho que teremos que seguir no turismo não é incompatível com o caminho que também temos que prosseguir na área industrial e na reindustrialização do país. Acho que são apostas complementares que o país tem de fazer e parecem-me as duas essenciais", afirmou Rui Lopes Ferreira durante a conferência "Relançar Portugal", organizada pelo Dinheiro Vivo no âmbito do seu 9.º aniversário.

Apesar de ter sido "um dos setores mais diretamente afetados por esta pandemia", o turismo -- considerado num sentido mais alargado que abrange a hotelaria e viagens, mas também todos os setores a jusante e a montante, com destaque para a restauração -- foi destacado pelo CEO da antiga Unicer pelos "contributos excecionais para a economia" que tem ao nível da geração de emprego e do equilíbrio do défice externo.

Salientando o "contributo muito forte" do turismo "para o progresso substancial e absolutamente notável das exportações em Portugal", Rui Lopes Ferreira considerou que a recuperação deste setor "tem que ser assumida como um desígnio nacional".

Para o gestor, esta aposta no turismo "não é, contudo, incompatível com o caminho que também tem que se prosseguir na área industrial e na reindustrialização do país", assumindo a este nível como uma "prioridade absoluta" a questão da produtividade.

"A reindustrialização, com as dificuldades que esta pandemia veio evidenciar ao nível das cadeias de valor a nível global, mostrou que precisamos de ter capacidade em Portugal de assegurar fornecimentos e a produção de bens transacionáveis", sustentou, defendendo ser preciso "expor cada vez mais a economia portuguesa à competição internacional".

E se Portugal tem tido "bons resultados nessa matéria", registando uma evolução na taxa de exportações "que pareceria praticamente impossível há 10 anos", o CEO entende que, "para se ir ainda mais longe, é absolutamente essencial uma aposta muito clara na produção de bens transacionáveis".

Neste âmbito, Rui Lopes Ferreira abordou "um tema que tem sido muito pouco focado em Portugal" e que considera que "devia ser uma prioridade absoluta": A questão da produtividade.

"Nós não conseguiremos reindustrializar o país e passar para um patamar diferente se não assumirmos que a produtividade tem que evoluir de forma significativa", considerou, afirmando que há indicadores muitos mais valorizados - como o Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita' - que são importantes, mas "são contas de chegar".

"Nós temos é que atuar nos fatores que vão ser decisivos para, depois, corrigir algumas assimetrias que são medidas por esses indicadores", sustentou, lamentando que a produtividade seja "um tema muito pouco falado em Portugal e muito longe dos discursos oficiais".

Relativamente ao Plano de Recuperação e Resiliência apresentado pelo Governo, o CEO da antiga Unicer confessa não ter "a certeza de que seja, em primeiro lugar, suficiente e, em segundo lugar, eficaz".

"Em Portugal vivemos um drama regular: Normalmente somos capazes de fazer muito bons planos, planos fabulosos, e depois somos muito fracos na execução. Eu preferiria um plano eventualmente menos bom, mas que tenha uma alta taxa de execução, em detrimento de planos fantásticos, mas em que depois sentimos que a execução fica muito limitada", afirmou.

Confessando que gostaria de ver no Plano de Recuperação e Resiliência "mais fundos direcionados para as atividades produtivas, em fomento da produtividade, da produção de bens transacionáveis e da atração de investimento estrangeiro", Rui Lopes Ferreira destacou ainda a importância da efetiva concretização do projeto de criação de um Banco de Fomento.

"Acho que este é um projeto fundamental para ajudar as empresas a reforçar a sua base de capital e capitais próprios e a diversificar fontes de financiamento", considerou, destacando ainda o papel que esta instituição deve ter no "fomentar do crescimento das empresas", cuja muito reduzida dimensão penaliza a competitividade do país.

"Só há 1.200 grandes empresas em Portugal, o que eu acho que é trágico para o país, porque sabemos que as grandes empresas têm mais capacidade de investimento, mais capacidade de inovação e mais capacidade de atrair talento e de definir direção e estratégias", disse.

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