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Correio da Manhã

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Universidade do Porto regista média recorde para Medicina com 19,03 valores

Aumento de cinco centésimas no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.
Lusa 26 de Setembro de 2021 às 07:33
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar FOTO: Rafaela Cadilhe
A Universidade do Porto registou este ano a média mais alta das últimas décadas para entrar num curso de Medicina com 19,03 valores, segundo dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).

Os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior foram divulgados este domingo e, segundo uma análise da Lusa, num ano em que as classificações médias dos exames nacionais desceram, houve uma universidade que quebrou o recorde para entrar em Medicina.

Este ano, a média de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto teve um ligeiro aumento de apenas cinco centésimas, que foi suficiente para ultrapassar os 19 valores -- o último colocado entrou com média de 19,3.

Segundo uma análise da agência Lusa, é a média de entrada mais alta num curso de Medicina desde 2004, ano a que se referem os dados mais antigos disponíveis na página da DGES.

O feito foi conseguido num ano em que as classificações médias dos exames nacionais pioraram em quase todas as disciplinas e com quedas de mais de três valores em duas das provas de ingresso para esta área (Matemática A e Física e Química).

Ainda assim, não foi o curso com a média mais elevada na primeira fase do concurso e não foi desta que Medicina conseguiu recuperar o lugar de liderança, de onde foi destronada em 2016 pelas Engenharias, ficando-se agora pela segunda posição

Na lista dos cursos com média mais alta, Medicina só voltar a surgir em quinto lugar, onde aparece novamente Universidade do Porto com a Faculdade de Medicina e o último candidato a entrar teve uma média de 18,82 valores.

Surge depois a Universidade do Minho, com 18,78 valores e a Universidade de Coimbra, onde a média desceu ligeiramente, passando dos 18,58 valores em 2020 para 18,52 este ano.

Os restantes cursos de Medicina mantêm médias aproximadas e praticamente inalteradas em relação ao ano anterior: o curso da Universidade Nova de Lisboa (18,45), da Universidade de Lisboa (18,35) e da Beira Interior (18,32).

Nos Açores e na Madeira, os dois ciclos básicos de Medicina, onde são ministrados os três primeiros anos do curso, registaram ambos uma média de 18,28 valores.

As 1.529 vagas disponibilizadas entre todos os cursos de Medicina e ciclos básicos foram completamente preenchidas.

Este ano, o Ministério da Tecnologia Ciência e Ensino Superior voltou a permitir que as instituições que aumentassem as vagas dos cursos de medicina, mas, à semelhança do que aconteceu em 2020, só a Universidade dos Açores o fez.

Na altura, o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, criticou a posição da maioria das instituições, considerando que a decisão de manter o mesmo número de lugares disponíveis demonstrava que as universidades não querem abrir a oferta e que isso teria de ser feito por outras vias.

No início de setembro, o governante voltou a falar sobre o tema, manifestando a expectativa de alargar o ensino da Medicina até 2023 e destacando Aveiro, Vila Real e a Universidade de Évora onde a abertura dos cursos poderá ocorrer.

As declarações geraram críticas, com associações de médicos a defenderem que a formação médica e a resolução do problema da falta de médicos não passam por mais vagas ou novas escolas, argumento que já tinham invocado no passado contra a abertura de uma faculdade privada.  

O ano em que a média para entrar em Medicina bateu recordes foi também o ano em que foi inaugurado o primeiro curso de Medicina ministrado por uma universidade privada, a Universidade Católica, onde último colocado tinha uma nota de acesso de 17,4.

Os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso estão disponíveis na Internet desde as 23:59 de sábado no 'site' da Direção-Geral do Ensino Superior (http://www.dges.gov.pt).

No total, entraram agora para o ensino superior mais de 49 mil novos estudantes, tendo ficado sem colocação 33% dos candidatos.

 

MYCA // HB

Lusa/Fim   

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