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Correio da Manhã

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'Fake news' já são problema na Sérvia mas Governo afasta excesso de regulação

Intervenção sobre as notícias falsas "tem de ser governamental e até mesmo empresarial" diz David Pemsel.
6 de Novembro de 2018 às 12:55
Web Summit
Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit
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Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit
As notícias falsas (chamadas 'fake news') começam a ser "um problema" na Sérvia, segundo a primeira-ministra daquele país, mas a governante rejeita "regulação em excesso", enquanto o presidente do grupo The Guardian pede mais intervenção dos executivos.

"Apesar de ainda não serem um problema assim tão grande, as 'fake news' começam a ser um problema", afirmou a primeira-ministra sérvia, Ana Brnabic, que falava no palco principal da Web Summit, no Parque das Nações, em Lisboa.

A governante admitiu que este tipo de conteúdos, que interfere com diferentes áreas, mas essencialmente a política, "muda as vidas das pessoas e dos governos".

"Especialmente a mim [enquanto primeira-ministra] e isso leva-nos a atentar mais na informação que queremos passar para os cidadãos e na questão da transparência", acrescentou.

Ana Brnabic considerou ser necessário "investir mais [dinheiro] e mais tempo a seguir as notícias para ver se são verdadeiras do que realmente a trabalhar".

Ainda assim, a governante deixou um alerta: "Temos de ter cuidado na regulação sobre este assunto. Não acredito que uma regulação em excesso nos leve a ter sociedades melhores e, normalmente, isso não é bom para a democracia".

A responsável defendeu, ao invés, um investimento na educação, para ensinar às crianças "como pensar", já que, segundo relatou, as 'fake news' estão a "desencorajar as pessoas, especialmente os jovens, a entrar na política".

No mesmo painel estava o presidente executivo do grupo de comunicação social The Guardian, David Pemsel, que vincou que "os líderes [dos países] têm de intervir e tomar controlo da situação".

"O mundo está desconectado e fragilizado", observou, aludindo a questões como a saída do Reino Unido da União Europeia ('Brexit'), às posições do Presidente norte-americano, Donald Trump, e ao surgimento de nacionalismos na Europa.

Por isso, a intervenção sobre as notícias falsas "tem de ser governamental e até mesmo empresarial", sustentou.

Já a administradora da tecnológica Mozilla Mitchell Baker observou que "o termo 'fake news' se tornou real com o Presidente Donald Trump, mas é muito mais do que isso".

Porém, a seu ver, não é "um grande problema".

A Web Summit decorre até quinta-feira no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

Para esta edição, a terceira em Lisboa, a organização já prometeu "a maior e a melhor" de sempre, com novidades no programa e o alargamento do espaço, sendo esperados mais de 70 mil participantes de 170 países.

O evento nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Portugal e desde essa altura terá gerado um impacto económico de mais de 500 milhões euros.

Inicialmente, estava previsto que a cimeira ficasse por apenas três anos, mas em outubro deste ano foi anunciado que o evento continuará a ser realizado em Lisboa por mais 10 anos, ou seja, até 2028, mediante contrapartidas anuais de 11 milhões de euros e a expansão da FIL.
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