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Correio da Manhã

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Fumadores correm risco de Alzheimer

A partir dos 50 anos os fumadores correm risco acrescido de contrair a doença de Alzheimer, segundo um estudo divulgado recentemente pela ‘Neurology’, revista oficial da Academia Americana de Neurologia.
9 de Setembro de 2007 às 00:00
Quanto mais se fuma maior é o risco
Quanto mais se fuma maior é o risco FOTO: Alain Jocard, Epa
Durante quase sete anos um grupo de especialistas holandeses estudou cerca de sete mil pessoas e constatou que nenhum dos participantes (6868 pessoas com 55 anos ou mais) sofria da doença no início da investigação. No entanto, perto de dez por cento acabou por adoecer num espaço de apenas sete anos. Mais de 500 pessoas contraíram Alzheimer e oito dezenas demência vascular.
O estudo sublinha ainda que os fumadores são os que mais tendem a sofrer de Alzheimer e que quanto mais elevado é o consumo e a dependência da nicotina maior é o risco. Por outro lado, esta investigação desmistifica a ideia de que a nicotina tem um efeito protector do cérebro humano. Aliás, os investigadores holandeses criticam ensaios anteriores que davam co-mo certo esse efeito positivo.
No âmbito das conclusões os especialistas não conseguiram porém encontrar uma relação directa acima de qualquer dúvida entre o tabagismo e os casos de demência vascular.
RISCO NO CROMOSSOMA 19
O gene APOE 4 (alelo épsilon 4 da apolipoproetina E) é actualmente considerado o principal factor de risco para a doença de Alzheimer. Localiza-se no cromossoma 19 e está sempre presente na forma mais comum da doença, que geralmente se começa a verificar a partir dos 60 anos.
No âmbito desta investigação o grupo holandês constatou que os fumadores têm maior probabilidade de contrair a doença de Alzheimer do que os portadores do gene APOE 4.
Além dos riscos de consumo da nicotina e do gene APOE 4, existem vários outros factores que tornam as pessoas propensas à doença de Alzheimer, entre os quais as alterações cognitivas (quando existem problemas de memória visual), o síndrome de Down e também a existência de um histórico da doença na família. Quem correr estes riscos deve ser submetido a avaliação clínica e fazer um pré-diagnóstico para descartar (ou não) o pior cenário.
DIA MUNDIAL ASSINALADO A 21 DE SETEMBRO
O Dia Mundial da Pessoa com a Doença de Alzheimer é já a 21 de Setembro. A Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer (http://www.alzheimerportugal.org) preparou um vasto programa de eventos que se estende ao longo do mês em várias regiões do País.
Entre outras actividades destacam-se sessões temáticas de entrada livre a realizar nos dias 12, 19 e 26, entre as 17h30 e as 18h30, na Loja do Avô, em Lisboa, Almada, Porto e Funchal. Para mais informações marque 213 610 460/8.
PRIMEIROS SINTOMAS
Perda de memória, distúrbios de conduta, confusão e alterações de personalidade.
DETALHES
O QUE É?
Alzheimer é uma doença do cérebro, progressiva e irreversível, que destrói gradualmente a memória de uma pessoa tal como a sua capacidade de raciocínio.
AFECTADOS
Estima-se que em Portugal cerca de 70 mil pessoas sofram desta enfermidade.
CUSTOS MENSAIS
Um doente de Alzheimer custa à sua família entre 200 euros (na fase inicial) e dois mil euros. Por exemplo, um lar comparticipado pelo Estado pode custar até 500 euros mensais, mas se for privado o valor oscila entre os mil e os 1500.
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