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Correio da Manhã

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Cresce censura apoiada por dono da Global Media em Macau

Kevin Ho, acionista da empresa que detém o JN, o DN e a TSF defendeu proibição de vigília sobre massacre feito pelo governo chinês.
Duarte Faria 18 de Junho de 2021 às 01:30
Kevin Ho
Kevin Ho FOTO: Direitos Reservados
Multiplicam-se os casos de censura em Macau. A televisão pública TDM cortou opiniões do programa em português ‘Contraponto’ e removeu da internet uma reportagem emitida no telejornal que tinha como tema a proibição da vigília de Tiananmen, a 4 de junho, que serviria para assinalar o 32º aniversário do massacre levado a cabo pelo governo da República Popular da China. Esta proibição, recorde-se, foi apoiada pelo empresário Kevin Ho que detém, em Portugal, 35% da Global Media, dona do ‘JN’, ‘DN’ e TSF, entre outros meios de comunicação social.

O CM questionou a Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) sobre a idoneidade de Kevin Ho para deter órgãos de comunicação em Portugal face às posições que assume em Macau. Fonte oficial do regulador respondeu apenas que “Macau é uma região administrativa especial da República Popular da China” e, por isso, “independentemente de estar atenta ao que se passa nos media, não se pronuncia sobre questões internas de outros países” (ver mais na página 29).

Os mais recentes casos de censura em Macau levaram à demissão dos dois comentadores cuja opinião foi censurada - o advogado Frederico Rato e o jornalista Emanuel Graça - e a uma manifestação de “preocupação” por parte da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau. Os Repórteres Sem Fronteiras, que analisam a liberdade de imprensa em 180 países, também condenaram a TDM. Recorde-se que, em março, a estação foi alvo de polémica após a administração proibir os jornalistas do serviço de rádio em língua portuguesa de divulgar informação e opiniões contrárias às políticas da China e do governo, e instando-os a aderir ao “princípio do patriotismo” e do “amor” ao território. O caso levou à demissão de pelo menos cinco jornalistas.

Perfil
Kevin Ho é um empresário macaense, sobrinho de Edmund Ho, primeiro chefe do executivo da RAEM. Detém, através da KNJ Investment, 35% da Global Media. Dirige a Tai Fung Bank Company e a Anzac Group Company. É sócio e parceiro de negócios de Ng Kuok Sao, arguido num caso de associação criminosa. Tem defendido publicamente várias posições do Partido Comunista Chinês. É o responsável pela luxuosa Miramar Tower, na Foz do Douro, e pela transformação da sede do ‘JN’ num hotel de 5 estrelas, ambos no Porto.
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