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Correio da Manhã

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“Queremos produzir e vender fora de Portugal”

Administradora da Plural tem na internacionalização um objectivo, mas acordo de produção com a RTP deixa Maria Ana Borges de Sousa “supercontente”. O balanço de seis meses é “fascinante”.
20 de Janeiro de 2012 às 00:00
Maria Ana Borges
Maria Ana Borges FOTO: Tiago Sousa Dias

Ficou surpreendida com o convite para dirigir a Plural?

A questão já tinha sido falado há algum tempo, mas não se tinha concretizado devido a algumas alterações na TVI. Nessa ‘sondagem’ achei logo interessante porque sou viciada em desafios e, portanto, mostrei-me disponível. Mais do que surpreendida, fiquei contente, porque é sempre um reconhecimento do meu trabalho, era mais um passo na carreira. Para além do facto de ser uma área nova. Assumo que não tenho problemas nenhuns em fazer perguntas quando não percebo e com isso ir aprendendo. Acho que do ponto de vista pessoal e profissional se enriquece.

A expectativa do desafio atraiu-a, mas o que lhe pediram?

O que me pediam e me pedem é que continue a manter a Plural como uma das maiores produtoras de ficção, com maior qualidade, cada vez mais eficiente e adaptada às necessidades do mercado. No fundo havia um caminho que já havia sido construído ao longo de muitos anos. A NBP e depois a Plural foram crescendo. Portanto, o que me pedem é que dê continuidade a grandes passos que já tinham sido dados. Manter a posição da Plural e, dada a situação que nos encontramos, fazer face aos desafios que nos são colocados pelo próprio contexto. O que está bom é manter e melhorar e o que não existe é ir melhorando. O ‘céu é o limite’. Mas temos de ter os pés muito bem assentes na terra. Temos de fazer mais e melhor.

Qual o balanço destes seis meses como administradora da Plural Portugal?

Fascinante. Todos os dias são um desafio. Tenho uma responsabilidade pela primeira vez como administradora, numa empresa com uma dimensão enorme, o que nos dá bastante que pensar, algumas noites não descansar tão bem para tentar encontrar soluções... Mas sou sempre positiva. Tenho aprendido imenso, tenho encontrado pessoas fantásticas. Tem sido brutal. E julgo que tenho conseguido uma aproximação. Mas não sou um elemento completamente estranho porque algumas pessoas já me conheciam. Achava que já sabia mais algumas coisas por ter estado dez anos a trabalhar numa TV, mas não corresponde à verdade. Isto é um mundo ainda mais complexo e fascinante do que eu achava que era. 

Quando chegou as pessoas quiseram conhecê-la?...

Tem vindo a acontecer. Muitas das pessoas já conhecia porque a minha função na TVI fazia com que tivesse que conhecer muita gente. Agora uma coisa é o contacto, outra coisa é saber o que fazem em concreto. Não sou propriamente uma pessoa difícil… e depois também tive a preocupação de tentar perceber como as coisas encaixavam e ir eu própria pedir esclarecimento e construindo o meu puzzle. E estou sempre aberta a que me corrijam. Precisava de ter uma ideia do que isto era. Conheci a floresta e depois ir ao detalhe. Naturalmente há pessoas que se vieram apresentar… E outras que vieram partilhar ideias, outras porque tinham problema.

E é receptiva?

Sou. Sou receptiva a qualquer questão que tenha a ver com pessoas. Mas há uma coisa, respeito muito as hierarquias. Estou sempre pronta a ouvir, mas não gosto que as pessoas estejam a tentar furar esquemas. Gerir pessoas é o maior desafio que um gestor tem. É o mais difícil, mas também o mais fascinante.

O que encontrou na Plural e mudou ou vai mudar?

Não diria que são coisas que quero mudar, são coisas que tenho de mudar, porque o mundo não é uma fotografia estática. Estamos a viver uma das alturas mais difíceis que um gestor pode viver, quem me dera estar aqui há uns anos ou voltar quando esta fase difícil estiver ultrapassada. Neste momento estamos a viver um cenário e um enquadramento macroeconómico diferente e também do ponto de vista micro deste sector, que está dependente da publicidade, porque o nosso principal cliente são as televisões, que está a sofrer bastante com este enquadramento económico. Já não estou na fotografia que entrei, estou neste filme que todos os dias tem variações e vou ter de encontrar formas de gerir a empresa e de adaptar as pessoas, a empresa e até as atitudes. Neste momento, não posso fazer mais e melhor, porque estou num enquadramento complicado e encontrar forma de sustentar a empresa e gerir de uma forma sensata.

E fala-se em despedimento em resultado da crise… Como tem decorrido este processo? Foi algo que já tinha pensado quando aceitou o cargo?

Não, mas havia uma situação que sabia que tinha de dar continuidade, que não tinha apenas a ver com a quebra no mercado. A Media Capital e a Plural mudaram-se de vários sítios para uma estrutura aqui e naturalmente que se se fazem investimentos e quando se juntam todas essas áreas, há determinadas funções que ficam duplicadas. Uma coisa é estarem empresas dispersas, outra é quando estão todas no mesmo sítio. Há coisa que devem ser renegociadas e outras que passam pelas pessoas. Temos de ser mais eficientes. Depois temos de ir preparando a empresa para a quebra do mercado publicitário, as TVs têm de fazer cortes… Temos de encontrar formas mais eficientes e mais baratas para produzir. Isto não é uma brincadeira. Naturalmente que temos de fazer reduções mantendo a qualidade. Temos de encontrar soluções para fazer barato senão ninguém nos compra. Temos de fazer produtos de ficção, mas também outros, como os telefilmes…. E depois, se por determinada situação, tivermos que parar uma produção porque um cliente não tem dinheiro ou me adapto ou tenho de cortar. E se tiver que cortar, tenho de ter aqui uma estrutura mais flexível.

Quando chegou o processo de despedimento já decorria…

Tem estado a ser muito empolado. É uma situação que ainda não terminou. Mas não se está a fazer sem pensar. Para garantirmos o futuro e tentarmos ser sustentáveis e ter trabalho para tudo, temos de ser flexíveis e de gerir ponderadamente. Portanto, há decisões que, por muito duras que sejam, temos de as tomar. E dormindo de consciência tranquila, não feliz mas tranquila, a decisão está a ser tomada para que a empresa se mantenha.

Quantas pessoas já foram e quantas terão que sair neste processo?

Estamos a fazer imensas coisas, porque há pessoas que nem sequer foram despedidas que passaram para os quadros da MC para serviços que nos prestam colaboração. Tivermos alguns motoristas, 11 ou 12.

Estamos a falar deste bolo que já está decidido?

Estamos a analisar ainda o que temos de vir a fazer, porque infelizmente os cenários de publicidade penso que estão pior do que pensávamos há 2 ou 3 meses.

Quanto a funcionários tem a Plural?

Tenho quadros e contratos a termo certo. Quadros são para aí 300 pessoas… A Plural é uma empresa que tem quatrocentas e tal pessoas a trabalhar com contratos. Em Vialonga devemos movimentar aqui 600 pessoas, porque todos os dias há figurantes… Esses são contratos ao dia ou à sessão. São trabalhos esporádicos. Aquela história de que dos 600 trabalhadores da Plural, largas centenas são falsos recibos verdes. Ora isto está tudo maluco. A Plural de 2009 para 2011 aumentou 65 por cento o número de pessoas com contrato. Temos menos de meia centena de recibos verdes. A Plural tem mais contractos com situações regularizadas do que o somatório de todas as produtoras em Portugal. Calma! Porque é que agora estão num ataque cerrado às empresas de audiovisuais. Estes processos estão a ser analisados. Graças a Deus temos feito muitos acordos. A junção da empresa num só sítio também faz com que as pessoas sintam a dimensão para onde trabalham. Sente-se uma boa energia aqui. Apesar do cenário, as pessoas ainda olham com positivismo para as coisas…

Mas também questiona os números divulgados…

A questão dos despedimentos acaba por ser uma não questão. Primeiro que tudo isto passa por tornar uma gestão mais eficientes e sobretudo tudo o que tivermos a fazer tem a ver principalmente com o contexto em que vivemos. Uma coisa são pessoas incompetentes. Essas aí nem deviam existir e se existirem temos de tomar medidas. Mas no contexto é ver quem é mais preciso. Temos de fazer isso em nossas casas. Não se pode.

Não respondeu quantas pessoas vão ser despedidas da Plural, mas esta tem de responder: quando vandalizaram as placas da Plural com queixas dos trabalhadores, o que se passou?

Isto vem um pouco no seguimento do que dizia há pouco. Basta muito poucas pessoas para fazer estragos. Muitas dessas situações não fazem sentido e não reflectem sequer o que se passa numa empresa. São fora do contexto. Essas placas foram colocadas em Agosto, tenho alguma ideia de quem são, acho que há liberdade de expressão. Se fizermos um histórico de quando se começou a produzir, olhamos para aquilo que são situações positivas. Se antigamente apesar de termos duas equipas só tínhamos um estúdio por produção, tinha de se vir gravar à noite, outras tinham de vir aos sábados. Hoje nada disto acontece. Não diria que isto é uma mansão de luxo, mas basta paredes pintadas e um ar lavado e simpático para uma pessoa ter logo outro ânimo a trabalhar. Sentir que têm uma cantina que até sushi tem e ao fim do dia, porque as pessoas trabalham imenso, podem encomendar três refeições completas por 3 euros cada. Portanto há coisas complicadas, mas há outras que tentamos encontrar boas soluções para melhorar a vida da empresa e das pessoas.

Portanto, eram pessoas insatisfeitas?

Pessoas insatisfeitas. Quando acho que o ambiente que se vive na Plural é de pessoas satisfeitas. Todos trabalhamos muito, eu também trabalho muito e tenho um peso nas costas que só eu sei.

Estas saídas coincidiram com a de André Cerqueira. Já tem alguém para o substituir na direcção-geral?

Não tem nada a ver. O André na realidade só deixou de ser director geral no dia 31 de Dezembro. O André tem um enorme contributo para todas estas medidas que passa por sermos mais eficientes. Tudo isto faz parte e ele tem estado envolvido. Não é um objectivo neste momento substituir. Parte das competências do André e que têm a ver com a parte criativa e artística, ele consegue ajudar mesmo de fora da Plural.

Ele continua a dar apoio?

Sim, é algo que ele gostava. O André é um criativo e o facto de ser director geral obrigava-o a estar com mais atenção a coisas mais chatas, de gestão, e ele gostava de ter mais tempo para criar. Foi opção dele. Terminada uma fase da sua vida, mas ele adora isto, o André tem a Plural no coração, e continuará a colaborar, nomeadamente com a direcção artística e vem cá periodicamente.

A Plural está a produzir conteúdos para a RTP. É a primeira vez?

No passado próximo não. No tempo da NBP sim. Estamos super contentes por estar a produzir para a RTP. Naturalmente que temos um vínculo do accionista, temos uma enorme ligação à TVI, mas sabemos produzir de uma forma independente, diferente também para outros clientes.

É esse o objectivo?

Sim, mas já era uma coisa que estava a ser trabalhada com o André cá. Era objectivo entrar em novas áreas de negócio, ter novos clientes para as nossas áreas de negócio. Não temos só a produção audiovisual. Temos a EPC que é a empresa dos cenários, que produz para as novelas, mas também para galas da TVI, RTP, SIC, cenários da informação, etc… fez agora um mega cenário para um filme francês. Foi a primeira vez que fizemos um projecto internacional. Naturalmente queremos entrar por aí. O nosso mercado está pequeno e temos de tentar entrar nos outros. E porque não o espanhol… Lisboa está tão próximo de Madrid, como Barcelona. Se determinadas pessoas, actores, podem ir gravar a Barcelona, facilmente se vem gravar a Portugal. Temos fantásticas condições de tempos e de estruturas. As empresas portuguesas têm que encontrar também futuro noutros mercados.

E para a SIC?

Não. A SIC trabalha com a SP.

Consegue fazer um comparativo entre as produções da Plural e da SP?

Este mercado é pequeno. Em termos de técnicos, de actores e de gestão tudo começou numa empresa. A SP – sem querer que o António parente se zangue comigo, porque gosto muito dele – vende esta e faz outra ao lado. Este mercado é muito pequeno, portanto em termos de qualidades de produção estamos todos muito próximos. Nós temos aqui um enorme know-how, quer artístico quer técnico que ainda nos dá alguns pontinhos. Mas temos de continuar sempre a trabalhar.

Que conteúdos produzidos pela Plural já foram vendidos para o mercado internacional?

Vários. Os conteúdos produzidos pela Plural têm sido obras de encomenda e por isso pertencem às estações de TV. Morangos e outras novelas foram e vão ser vendidos. Morangos vão para Israel. Quero apenas dizer que não somos nós que estamos a fazer essa venda e aproximação à chamada venda internacional do produto acabado. Estão em todo o mundo. Mas queremos avançar mais como Plural. Queremos produzir e vender formatos e fazer co-produções.

O que está a produzir de momento?

Para fora nada, mas temos feito grandes aproximações a mercado internacionais, quer espanhol, quer da América Latina no intuito de avançar nesse sentido. Principalmente os Palop. A Plural, como um todo, é Portugal e Espanha. Temos uma pequena Plural em Miami, temos uma pequena associação em Angola, uma parceria, e temos uma produtora que também é participada pela Plural, no Brasil. Estamos a tentar ir abrindo caminho.

É onde está o André?

Não ele está ligado aqui, nomeadamente no apoio à parte criativa. O André deixou mesmo a MC. O que ele está a fazer é um apoio regular. No Brasil temos uma empresa criada, que foi através da qual se vendeu ‘Equador’ para a TV Brasil e que se estudaram já algumas parcerias e outras que estão a ser estudadas para o futuro.

Internacionalmente o que já vendeu?

Os produtos da Plural já estão em vários países do mundo. E depois também tem havido interesse sobretudo depois do Emmy. Angola, China, Bulgária, Equador, EUA, Costa Rica, Chile, Geórgia, Guatemala, Itália, Hungria, Indonésia, México, Moçambique, Paraguai, Peru, Gana, Vietname e Israel.

O que representou o Emmy?

Interesse em termos internacionais sobre a produtora e sobre Portugal. Várias vezes me perguntaram, então como é, este ano foi a SP, e tenho dito que quem ganha com isto tudo é Portugal. O que tem como resultado é o olhar internacional para Portugal como produtor audiovisual e sobretudo de novelas. Onde havia uma posição destacadíssima de países da América latina, nomeadamente da Venezuela, México e Brasil, isto faz com que percebam que há um País pequenino que tem uma qualidade de produção e isso faz com que internacionalmente os olhos sejam mais interessados.

A Plural tem expressão em algum país em particular?

Ainda não.

Essas vendas o que representam termos de facturação tem?

Não. Mas também ainda temos um longo caminho a percorrer. Nós nunca fomos agressivos nessa venda. Aqui há um longo caminho a fazer. A questão do Emmy também nos permite olhar as coisas com outro rumo. E o Emmy tem sido um enorme cartão de visita quando falamos com outros países, além de que somos produtos vencedores de audiências. Isto vai despertando interesse, porque em Portugal é possível fazer muita coisa, com uma diversidade de cenários, campos, praia…

E quem vem cá?

Produtoras e TV para parcerias. 

Alguns contactos já estão mais sólidos?

Temos alguns contactos e que já passaram do mero cartão de visita.

Querem o quê: séries, novelas?

Os mais variados. Estamos a avaliar porque a nossa forma de produção é diferente. Isto também é uma coisa relativamente recente.

Como administradora quer dar esse passo grande na internacionalização da Plural?

Acho fundamental para o País e para a empresa. Precisamos de exportar os nossos produtos e know-how. É fundamental nesta altura. É uma posição do grupo e acho que é uma estratégia que temos de ter.

O que está, neste momento, a Plural a produzir?

Na próxima semana vai entrar na quarta produção para a TVI. Tivemos um mês de paragem e nesse mês fizemos obras e montagem de decor, o que é alucinante… Além das quatro novelas que estamos a produzir em simultâneo, estamos a fazer os filmes para a RTP e vamos arrancar ainda com outra produção para a TVI brevemente.

É novela?

Não me pergunte. Não faz parte da produtora divulgar.

Querem manter duas novelas no horário nobre?

Não me cabe comentar estratégias da TVI. Estou muito contente com as nossas produções e estou confiante que os próximos também vão ter óptimos resultados.

Quantos filmes está a produzir para a RTP?

Estamos a fazer 13, já estamos a acabar.

O facto de fazerem esse telefilmes é o primeiro passo para fazer cinema?

Estes filmes não são únicos, também estamos a fazer para a TVI, 26. Não é a questão de um primeiro passo para o cinema. Isso requer outro tipo de equipamentos e gestão. Isto é um passo distinto de um produto diferente, com tempos de produção diferentes. É mais um produto que conseguimos oferecer e temos que conseguir fazer mais produtos deste tipo para, em conjunto com as TV, ir adaptando targets. Não digo que não consigamos produzir para outro tipo de canais que não sejam só os generalistas. Nós somos produtores de conteúdos.

Esta a falar do cabo?

Sim, mais cedo ou mais tarde vai acontecer. Podemos produzir tudo, depende é do produto que querem. Posso fazer uma série para um canal de séries, há toda essa possibilidade. O consum está a mudar. Temos de ter produtos que se vão adequando aos públicos dos actuais e futuros clientes e inclusive às novas tecnologias. Um conteúdo audiovisual não tem de ser visto num monitor de TV. Ele pode ser visto no PC, no tablet… Portanto o que muda é a linguagem. Estamos a pensar como vamos fazer face a todos estas mudanças tecnológicas.

E como fazem, com novos equipamentos?

Primeiro que tudo, com criatividade.

A TVI não tinha em ideia fazer um canal TV séries?

Houve uma altura talvez… mas a junção de Portugal e internacional…

Qual o produto/conteúdo forte da Plural?

Ficção. Novelas naturalmente. É o produto em que a Plural mais experiência tem e mais tem evoluído. Espaço para melhorar há sempre, mas é claramente um produto de excelência nosso.

E aquele ‘sonho’ da ‘cidade do cinema’ da Plural em Sintra? É um processo que está parado? Desistiram?

Continuará a ser um sonho. Era um projecto maior do que aquilo que temos. Diria que esta é uma mini. Ele não parou completamente. São processos complicados do ponto de vista burocrático. Em determinada altura, não tendo podido avançar, viemos para aqui. No enquadramento actual será difícil, e logo se verá, mas não se põe de parte.

Quantos actores têm exclusividade com a Plural?

Alguns temos nós, outros a TVI… Tenho cerca de 30 na Plural.

Vai manter os contratos de exclusividade?

Se conseguir… Idealmente mantém-se tudo. Mas temos de ver à medida do mercado.

Não há lugares cativos?

O meu não é (risos). Há uma coisa que se diz sempre: garantido neste mundo só a morte. Mas se estivermos todos satisfeitos, a dar o nosso melhor e tivermos trabalho, é óptimo.

Quantos actores circulam diariamente aqui?

No momento em que estão as várias produções, e considerando o Morangos, podemos dizer mais de uma centena…

Paga-se quanto a um actor pela sua exclusividade?

Qualquer contrato é confidencial e os valores também. Como em todas as situações, os valores variam. Tem a ver com experiência.

A experiência é valorizada?

A experiência é valorizada. A força que ele tem publicamente, o seu crescimento. Mas não são só importantes os exclusivos, também os outros. Não significa que um actor não exclusivo ganhe menos que um exclusivo.

Qual o ordenado mais elevado?

Não posso dizer.

São mal pagos?

Em todas as profissões há de tudo. O que é que é ser bem ou mal pago? Vamos à lei da oferta e da procura. Vamos ser muito claros. Todas as pessoas acham que são mal pagas, até as mais bem pagas. E olhe que conheço algumas… (risos) Temos que ver o enquadramento em estamos a viver. É péssimo o hábito português de falar em ordenados… sobretudo numa empresa privada.

A mudança para a TDT e a eventualidade de haver um canal HD vai ter impacto na Plural?

A questão da TDT tem impacto na plural, mas já estamos preparados. Já produzimos há alguns anos em 16-9 e em HD. Eu produzo, mas as TV é que têm de investir para poder emitir em HD.

Quando assumiu a administração da Plural, o seu marido ainda estava na Media Capital. Entretanto surgiu o convite do Governo e acabou por sair. Como viu tudo isso?

Para começar, devo dizer que tanto ele como eu sempre separámos as questões pessoais das questões profissionais. Inclusive a questão da minha vinda para a Plural, quer qualquer outra situação, nunca foi discutida com ele. É importante que isso fique claro. Respeitamo-nos como profissionais. Por princípio não falo de assuntos pessoais, apenas posso dizer que apoiei o Bernardo em todas as decisões. Não foi um momento fácil. Para ele era uma missão de serviço que achava que, por aquilo que é, as pessoas não podem apenas criticar, mas também dar o seu contributo. Sempre conheci o Bernardo como uma pessoa que um dia daria esse passo de aceitar uma situação dessas independentemente da situação financeira, por ser uma missão. Apoiei-o porque, inclusive, sabia que era algo que ele poderia gostar de fazer. Profissionalmente, também estaria a ocupar um cargo importante. Acho que cumpriu a missão dele de uma forma bastante serena, apesar de ser muito complicado e até um pouco cansativo. Os últimos anos foram muito complicados, com as comissões de inquérito, as entradas e as saídas. Foram coisas vividas pelos dois. Permitiu-lhe descansar durante um tempo e ele precisava disso, o que em termos familiares foi óptimo. Hoje, ele tem variadíssimos projectos em mente e está muito satisfeito. Deus escreve certo por linhas tortas.

PERFIL

Maria Ana Borges de Sousa tem 41 anos e uma filha com 14 anos e outro com 11. Tirou o curso de Gestão na Universidade Católica e esteve Procter & Gamble entre 1993 e 1998. É casada com Bernardo Bairrão, ex-administrador-delegado da Media Capital, que conheceu quando ainda estava no liceu.

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