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Como vencer a fadiga extrema

Dor de cabeça, insónias, respostas agressivas, desmotivação e uma fadiga imensa. Se reconhece estes sintomas é porque está a sofrer de stress crónico e vai precisar de ajuda.
Por Susana Lúcio 23 de Janeiro de 2020 às 07:00
Cansaço
Cansaço FOTO: iStockPhoto
Cátia Dias vivia a vida ao extremo. Depois de se licenciar em Direito, aos 22 anos, começou a trabalhar e continuou a estudar. Fez o mestrado e tirou um executive master em Gestão. Até nas férias levava o portátil para responder a emails de clientes. "Nunca tirei um dia de férias pleno", admite a advogada e gestora de empresas. Em 2015 teve um bebé, mas não abrandou o ritmo: "Não era o tipo de pessoa que queria estar em casa a cuidar do filho." Acordava às 6h30, deixava a criança na ama, voltava para jantar às 21h e trabalhava, muitas vezes até às 4h. Ao fim de três anos chegou ao limite. "Estava muito cansada, tinha olheiras enormes e até sentia falta de ar quando ia à plataforma Citius ver o andamento dos processos judiciais." Teve de parar.

Cerca de metade dos trabalhadores portugueses já sentiram o mesmo. Segundo o Instituto de Investigação e Intervenção em Saúde Ocupacional, que há 11 anos realiza um barómetro com base nas respostas de 50 mil pessoas, entre 47% e 50% dos trabalhadores tiveram sintomas de exaustão. Entre estes incluem-se problemas de sono, irritabilidade, fadiga física, desmotivação, cefaleias, alterações no apetite, pessimismo e depressão. "A perturbação do sono, quando a noite não serve para repor a energia gasta, é um dos primeiros sinais", explica o psicólogo e responsável pelo instituto João Paulo Pereira. Os grandes grupos de risco são os trabalhadores da saúde e da educação. "Mas há um aumento da exposição ao risco na [área da ] justiça."

O cansaço extremo físico e emocional pode ser evitado quando há realização profissional. "Mas as pessoas não se sentem reconhecidas e o sistema não permite parar para pensar", diz João Paulo Pereira. "É por isso que somos o país europeu que mais ansiolíticos consome." Em 2017 foram vendidos 10,6 milhões de embalagens destes medicamentos usados para reduzir a ansiedade e 8,4 milhões de antidepressivos – quase o dobro da média europeia.

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