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As mais incríveis histórias de partos

Há quem tenha os filhos em casa, quem não passe sem o conforto da maternidade ou quem opte por métodos alternativos. E há depois as que não têm escolha. Mães coragem, capazes de enfrentar a fúria da natureza ou de levar de vencida o terror da guerra. São histórias destas que aqui contamos. As delas e as de quem as ajudou, em condições extremas, a trazer uma nova vida ao mundo.
Por Carla Mendes 18 de Setembro de 2020 às 12:10
Parto
Parto FOTO: Unsplash

Patience Ibrahim era uma menina quando casou. E continuava a ser uma menina quando perdeu o marido para a violência do Boko Haram, um grupo terrorista islâmico. Como ela, muitas outras meninas na Nigéria sabem que o seu destino é traçado cedo, entregues a um homem mais velho a quem têm de chamar marido. O que Patience Ibrahim não sabia é que a tragédia ainda lhe iria bater mais vezes à porta. E que teria de ter de esconder uma gravidez e ter a filha sozinha, sem a ajuda de ninguém, em fuga de um pesadelo ao qual apenas poucas conseguem escapar.

Não foi fácil contar a sua história, que a jornalista alemã Andrea C. Hoffman decidiu publicar em forma de livro (Filha das Trevas, edições ASA). Foi duro, explica a autora, "recordar o horror que viveu". Mas a vontade de partilhar levou-a a ultrapassar o medo. "Ela queria que o mundo soubesse o que se está a passar no Norte da Nigéria. Foi quase como se quisesse que acordássemos. Partilhar a sua história foi um pedido de ajuda." E um testemunho de força.

Patience estava grávida quando foi raptada pelo Boko Haram, um grupo terrorista que deixa um rasto de destruição à sua passagem. Depois de ter perdido um marido e de ter regressado a casa dos pais, estes acederam a que voltasse a casar em troca de uma vaca e uma cabra. Foi do segundo marido que engravidou. E foi da casa deste que foi levada, ainda quase sem barriga visível, para uma viagem ao mundo do terror. Foi espancada, violada, obrigada a comer carne humana. Fugiu para ser novamente apanhada, apenas um dia depois. Dentro dela, a vida que crescia dava-lhe força. Servia-lhe de motivação para continuar viva, quando outras como ela não conseguiram resistir. Escondeu sempre a gravidez, até porque, num país onde a maioria é muçulmana, assim como os terroristas, Patience era cristã. E cristão seria o filho que trazia no ventre, ambos alvos de uma fúria que sabia não ser possível aplacar.

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