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"Os afetos perdem muita cor na tecnologia"

Muitas pessoas já terão pensado o bom que seria estar fechadas em casa, durante uns dias, desfrutando de um isolamento saudável. Com um confinamento social como nunca se esperou assistir neste século e perante essa situação real e sem fim à vista, como é viver nela em partilha no mesmo espaço? Conviver-se em harmonia é possível hora após hora, dia atrás de dia? As respostas neste artigo garantem que sim.
Por Carolina Carvalho 1 de Junho de 2020 às 08:20
Viver confinados e felizes?
Viver confinados e felizes? FOTO: Pexels

Meados de março, segunda-feira de manhã, primeiro dia de teletrabalho e isolamento social. Janela aberta, vista para o Tejo, despensa e frigorífico abastecidos, mesa da sala limpa, vazia e transformada em posto de redação improvisado, sala luminosa e casa em silêncio. Tudo a postos para uma sequência de semanas diferentes, mas promissoras. Sozinha. Ao fim da primeira semana o sucesso é uma realidade distante e muitas arestas precisam de ser limadas: trabalhar em casa exige disciplina e o trabalho, as lides domésticas e os momentos de lazer lutam por um espaço na agenda. Ao fim da segunda semana a gestão do tempo passa a ser uma realidade alcançável (mas ainda não concretizada) e o exercício físico revela-se uma agradável descoberta (para o corpo e para a mente). Ao fim da terceira semana já se conhecem os hábitos dos vizinhos, e o que antes eram desafios de paciência, como crianças a jogar futebol em casa e ouvir o telejornal da noite na casa ao lado através da parede, passam a ser rotinas. E até fazer aniversário nestas circunstâncias passa de tristeza a nova experiência, sem presentes, mas com um jantar de família à moda das novas tecnologias.

Por ordens governamentais, Portugal, tal como outros países, mergulhou num recolhimento obrigatório que assegura apenas o comércio de bens essenciais e saídas de casa para raras exceções. E as tecnologias apressaram-se a desenvolver respostas para as novas necessidades, tornando-se uma janela para o mundo e para o convívio fora de casa. Por isso mesmo, Conceição Nobre, psicóloga e psicoterapeuta da Ph+ Desenvolvimento de Potencial Humano, explica que este isolamento tem consequências tanto para quem está sozinho como acompanhado. A diferença está na capacidade e possibilidade de lidar com as tecnologias que nos permitem aproximar à distância e, neste caso, a idade avançada ou o local onde se vive podem ser fatores determinantes. Por mais agitado que seja o dia e se criem rotinas, a ideia de ver a situação de isolamento prolongar-se durante semanas causa, por vezes, momentos de pausa que requerem uma ida à janela para respirar bem fundo. Afinal somos seres sociais e a aprendizagem no crescimento é feita desde cedo para sabermos estar com os outros. Talvez por isso este isolamento pareça tão contranatura. Será que com companhia toda esta fase é mais fácil? Será possível coabitar um mesmo espaço sem atritos ou conflitos em excesso? E pode viver-se isso de um modo feliz? Com as medidas de isolamento e a aposta em teletrabalho muitos casais acabaram a passar as 24 horas do dia em casa, juntando a vida profissional à vida pessoal no mesmo espaço e sem possibilidade de escolha. Para quem prefere separar as duas esferas e tirar partido dessa separação, a mudança radical pode implicar um esforço de adaptação acrescido. Diz-nos a História que fases de recolhimento obrigatório se traduzem em baby booms cerca de nove meses mais tarde, assim como num aumento de casos de divórcio ou mesmo num agravamento de violência doméstica quando ela já existe. Para que a experiência não seja negativa, recomenda-se tirar partido da situação. É possível que se descubra uma faceta profissional com hábitos próprios na outra pessoa que, até aqui, era desconhecida e já que não se perde tempo nas deslocações porque não aproveitar a hora do almoço e o fim de tarde para namorar?

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